Raramente paródia (falta criatividade), às vezes paráfrase (concordo com algumas pessoas), frequentemente original (penso muita coisa, não necessariamente frutífera).
sábado, 13 de dezembro de 2008
edO para Tolomei Teixeira
A transposição não é da mesma forma,
muitas letras boas e muitas ruins.
Poucas médias e algumas até chatas.
Parece que só sabe remoer sacanagem,
mas uma coisa boa teve.
Há 4 anos não me atrevo
a fazer o mesmo.
Não devia acabar em dez.
Não devia nem ter feito um.
Agora se foi.
Se gostou disso aqui,
aconselho,
custará pra você também.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Humanização da máquina ou maquinização do homem?
Não sei por que todo mundo se espanta com essa “futura” (talvez nem tão futura assim) "criação" (ou seria transformação?). Muitos dizem que isso nunca vai ocorrer, outros afirmam que a espécie humana vai acabar, caso se concretize as experiências desse gênero (vide Inteligência Artificial).
Porra! A espécie humana foi evoluindo com o imbricamento cada vez maior exatamente da tecnologia com o seu corpo. Não entendo o porquê do povo ainda se espantar com isso. Talvez seja porque as mudanças (transformações, não criações) sejam tão sutis que passem despercebidas, na maioria das vezes, e a visão do futuro seja muito mais assustadora do que realmente ele deva ser. Estamos nos tornando cada vez mais homem-tecnologia, mas acredito que nunca a espécie humana vai chegar ao fim, pois nós, mesmo modificados, seremos o que conhecemos como humanos.
Desde o início vemos os homens utilizando a tecnologia em seu corpo, tendo como principais expoentes as mulheres que pintam o rosto com a maquiagem, se estão virtualizando o rosto ou humanificando a maquiagem, você decide. Vemos também pessoas que usam lentes de
contato, aparelhos auditivos, próteses em lugares de membros perdidos, enfim, exemplos não faltam. Não interessa, aqui, distinguir se a tecnologia é utilizada para uma melhor qualidade de vida, o que importa é que os homens mesclam-se cada vez mais com a tecnologia, e não percebemos isso.O problema de refletir sobre o que é um ciborgue é que muitos pensam nele como um robô com características humanas e com parte humanóides em seu corpo. Entretanto, por que não podemos considerar um humano com características e inserções tecnológicas em seu corpo como um ciborgue? Será que é porque não queremos perceber o óbvio? A saber, que as pessoas estão se tornando um híbrido entre humano e maquínico.
O interessante é que essa transformação não está acontecendo de forma apocalíptica (o humano está sumindo), como muitas pensavam, mas, ao contrário, a qualidade de vida está aumentando, em virtude das tecnologias. Estas que, mesmo sendo "bem" empregadas, sofrem também com um caráter pessimista, quando a estetização é levada mais em conta do que coisas mais importantes, logo, o belo é levado em conta ao invés do caráter e da ética.
Parece que os pessimistas vão ter que se conter um pouco mais ou se contentar apenas com as críticas ínfimas, tornando-se até mais otimistas. Acho que o ciborgue que irá assimilar os humanos ou destruir nossa espécie vai ficar apenas nas ficções-científicas, como no caso dos Borgs (Jornada nas Estrelas). Pensando bem, nem tão na ficção.
Além dessa visão diferente da criação do ciborgue, não podemos esquecer que os cyber-rebeldes estão também por aí, não permitindo que os humanos sejam extintos por sua própria criação (parece história de um filme futurista/pessimista). O que pode acontecer também é que não haja realmente uma criação do ciborgue, mas
uma modificação ou transformação de nós mesmos, vagarosa, sem que percebamos. Mas daí, o ciborgue não exisitirá, pois seremos nós, e não queremos perder a condição de humano, pelo menos, não para nos tornarmos um humano-máquina.quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Vai lá, Almirante!
Voltando à postagem... E apoi! Os empresários estão procurando novas Mallu Magalhães, se é para fortalecer a idéia da indústria cultural ou para manter a amizade entre os ex-Los Hermanos, isso eu não sei. Que Barba, Medina, Amarante e Camelo ainda eram bastante amigos mesmo depois do fim da banda, isso a gente sabe. No site da ex-banda tinha até dizendo que eles ainda se encontravam toda quinta (puff), eu acho. Mas, agora, não tem mais nada.
Parece que o clima não é mais o mesmo. Também, imagine Camelo chegando com uma belezura como Mallu Magalhães e ainda mais ela tendo a metade da idade de todos? Pois é! Deve ter causado uma ciumeiras geral entre os outros hermanos e eles acabaram brigando de verdade. Afinal, Camelo sempre foi o corno da turma, o que sempre levava pé na bunda e ficava mal com as mulheres (vide as músicas dele). O fim dos encontros devem ter ocorrido por causa de Camelo mesmo, pois deve ter se tocado, pois Mallu devia ficar totalmente deslocada nesses encontros... enquanto os outros hermanos falavam de semiótica, ele falava de uma "pata de leão".
Parece que o único jeito de apaziguar o clima entre os hermanos é Camelo acabando o namoro com Mallu, ou os outros ex-Los Hermanos fazerem a mesma coisa que seu (ex)amigo. E, para isso, eles têm a força das empresas que estão procurando novos fenômenos. A próxima da lista é Stephanie Toth, uma jovem de dezesseis anos que canta folk, tem cabelo liso curto e castanho
claro, é branquinha e tem cara de menina (não é um clone de Mallu, eu acho). Por isso, vai lá, Almirante! Chegou a sua vez.quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Eita porra!
Eu coloquei meu nome completo no Google, pra ver se eu ainda era apenas um nome que passou no vestibular... Enfim, de repente, vejo que a postagem "Impresso pra quê?", que foi lincada no Digestivo Cultural, como eu mostrei aqui no blog, apareceu num site lá de minas, do sindicato dos jornalistas da lá. Pense numa surpresa.
Agora, o que foi estranho é que colocaram como se eu fosse um colaborador do site, pasmem, eu nem sabia de nada, fiquei sabendo só hoje. Acho interessante salientar que o texto diz muito do que eu estava sentindo em relação ao curso naquele momento; se eu fosse escrever hoje, justiça seja feita, muita coisa seria modificada. O curso está melhor do que nunca e a todo gás. Queria ver se fosse uma postagem falando bem do curso o povo ia veicular também. Mas não tou reclamando, longe de mim. Só tenho a agradecer. Mas nosso papel é sempre de (auto)crítica, né?
domingo, 23 de novembro de 2008
Retorno à música boa?
Há!!! - parte 02
Pois é! Nessa segunda parte é mais interessante, principalmente porque ele fala do cinema hollywoodiano e do "cult". A visão dele é mais do que perfeita. E só podia, né? Já que é uma espécie de herói mítico, ser superior que transcende a humanidade, entidade espiritual, a única pessoa que Chuck Norris obedece,... Acho que agora está mais verossímil.
Allysson - Depois de uma pesquisa, percebi que você não tem graduação e nem especialização em cinema ou televisão, o que o fez se enveredar por essas áreas?
Mousinho - Gosto muito de cinema desde os dez anos, aos dezesseis fui cineclubista, aos 22 pensei em fazer mestrado em cinema, freqüentei durante muito tempo o cinema de arte do Tambaú, e por uns 15 anos o cinema Bangüê, onde participei de um projeto de revitalização, participei da ABD-PB (Associação Brasileira de Documentaristas), entre outras coisas. Na época da minha graduação, eu andava com muita gente que tinha ligação com cinema. Mas minha paixão por pesquisa em Letras terminou me levando para lá. Aliás, meu interesse por pesquisa e pela vida acadêmica começou quando me formei em Comunicação e cursei a graduação em Letras, me integrando logo a um grupo de pesquisa. Antes eu era jornalista, desde os 18 anos, tinha dúvidas se gostaria de continuar, mas não pensava em carreira universitária. Em seguida, fiquei bons 11 anos totalmente ligado à pesquisa em Letras: 1 ano de iniciação científica; 3 no mestrado, 3 com uma bolsa individual de pesquisa/ensino do CNPq, 4 no doutorado, como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP. Não pretendia ensinar em Comunicação; hoje, não trocaria por outra área, pelo menos na graduação. Mas nem cogitava isso. Estou há seis anos e meio no Decomtur, antes só tinha um ano e meio de ensino, menos que isso. Então, se são cerca de sete anos e meio de experiência em ensino (o que para minha idade, 42, é pouco), diria que só voltei a ser pesquisador de três anos e meio para cá. Antes, no começo da carreira de professor, era só carregando pedra. Por um lado na administração no ensino privado, ou aprendendo a dar aulas na UEPB e, sobretudo, aqui no DECOMTUR, mudando muito de um conteúdo para outro, numa época em que havia uma quantidade enorme de professores efetivos afastados. Não me formei em nível de graduação, nem mestrado, nem doutorado imaginando que ensinaria em Comunicação e estava distante da prática profissional, os sete anos nos quais exerci, sobretudo como repórter e redator. Então, foram mais de quatro anos feito um louco lendo muito para não dar vexame em sala de aula – e tenho consciência que dei vexame em várias situações, sobretudo no começo. Então, eu que tinha me super-especializado em pesquisa acadêmica em literatura, fiquei meio perdido nesse meio-tempo, sem saber exatamente para onde ia. Aí apareceu o Congresso da Sociedade Brasileira de Cinema em Recife, em finais de 2004, e, pouco depois, o convite para eu participar do Programa de pós-graduação em Letras. Como eu já tinha uma boa formação em estudo de ficção e como eu gosto muito de cinema, fiz a ponte e estou felicíssimo nisso, mas preciso avançar muito e muito na área de audiovisual. Mas, vendo a produção na área, estando já no quarto encontro do Socine, sinto que não dou vexame não, que tenho conseguido um padrão razoável, mas com muitas necessidades e ambições ainda em termos de avanço.
Allysson - Suas especializações em letras o ajudaram a fazer uma relação do cinema e televisão com as obras literárias? Há quanto tempo você trabalha com essa relação?
Mousinho - Sim, tive uma boa formação teórica em Letras, sobretudo, na UFPB e também na UNICAMP. A narratologia e mesmo as teorias da literatura me ajudam demais a aprofundar o estudo da ficção audiovisual. Várias categorias teóricas são comuns aos dois campos e em Letras, na área de literatura, a gente faz um percurso muito aprofundado, seja em análise do discurso ficcional, seja em análise e interpretação do texto poético. Com cinema e TV, trabalho há cerca de 4 anos.
Allysson - Já vi algumas apresentações e trabalhos que você orientou e apresentou. Eles sempre estão ligados a obras mais comerciais e populares (como Cena aberta, A grande família e Lisbela e o prisioneiro). Você acha que há uma glorificação de muitos professores por obras consideradas "cult"?
Mousinho - Primeiro é preciso eu confessar que passei aquele tempo todo em pesquisa em Letras muito apegado ao cânone, às altas literaturas do Brasil e do mundo, negligenciando os contemporâneos. Então, na verdade, essa busca de objetos menos consagrados é uma necessidade de me atualizar um pouco no contemporâneo, pensando também numa aproximação com o campo da comunicação. Ora, no tempo da literatura, meus enfrentamentos quase todos eram com obras extremamente sofisticadas no plano discurso, da desconstrução, dos discursos estabelecidos - sejam poéticos, sejam ficcionais. Mas acho que a gente perde perspectiva se não amplia o campo, nem só de grande arte se faz a arte, sua produção, sua recepção. Por outro lado, meu gosto pelo cinema e minha verdadeira fixação pela música popular do Brasil quebraram um pouco esse meu lado meio exclusivamente exigente. Tenho sim me fascinado por produtos que aliam sofisticação de linguagem com grande comunicabilidade, como na canção brasileira, como em várias vertentes do cinema narrativo. Chaplin e Hitchcock fizeram essa junção, comunicação em grande escala com extremado aprofundamento estético.
Allysson - Você já disse que não considera o cinema francês ou "cult" mais artístico que os filmes hollywoodianos. Por que você acha que muitos têm essa visão?
Mousinho - Acho que agora está até bem melhor, mas no meu tempo de graduação, as pessoas envolvidas com produção ou reflexão sobre cinema eram muito esnobes ou sectárias em relação a Hollywood ou ao cinema norte-americano. Um esnobismo com pouco ou nenhum embasamento, o que é pior. Nos anos 80, às vezes éramos muito condescendentes com o ruim cinema médio brasileiro, só por ser brasileiro e extremamente desrespeitoso com o grande cinema americano. E elegíamos como gênios, entre brasileiros e estrangeiros, todos os que de maneira mais evidente se afastassem do modo narrativo do cinema hollywoodiano. Ora, na literatura se via, na tradição brasileira, com João Cabral, Drummond, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, uma radicalidade de linguagem se construindo em intensa relação com a tradição, com o que veio antes. Aí você vê em autores tão fundantes como Proust, James Joyce, Virgínia Woolf, Katherine Mansfield, Jorge Luís Borges, Fernando Pessoa, entre vários outros, uma radicalidade que não pretendia zerar a língua, mas fazê-la disparar, para dizer o que o ensaísta Roberto Corrêa dos Santos disse de Clarice Lispector. Ora, até Mallarmé. Olhe os versos de Chico César: Meu “cashcoeur mallarmaico/ tudo rejeita e quer”. Olhe Borges: não há uma sílaba/ que não esteja saturada/ de ternuras e temores”. Então sempre me incomodava no ambiente de cinema essa coisa mecânica de eleger a genialidade qualquer bobagem que se afastasse do cinema dominante. Qualquer coisa que nosso complexo de inferioridade e nossa ignorância não explicavam, virava genial; quando mais infeliz o final, quanto mais lento e quanto mais chato, genial. Aí não dá. Cansei de ver gente desesperada na cadeira de cinema, elogiando um filme o qual estava detestando e nem estava entendendo e nem estava tirando proveito do não entender. Dou um exemplo já dos anos 2000. A aliança francesa exibia A chinesa, de Jean-Luc Godard. Sala lotada, público especializado, gente falando “isso é que é cinema, não é cinemazinho norte-americano”, etc. O filme tem lições importantes, sobretudo na inusitada montagem. Mas, a bem da verdade, na metade, o público todo já estava desesperado querendo ir embora. Lá atrás, eu só ria. Teve uma hora que o rolo acabou e todo mundo olhou desesperado para o projecionista. O cara chegou com um rolinho e falou “calma, calma, calma, pessoal, são só mais dez minutinhos!!!” Não é para rir? Nos anos 80, cansado de só ver cinema paraibano no cineclube do qual fazia parte, tive que ouvir um crítico estabelecido me apontar o dedo e dizer que o que achava que era cinema era ET. Pegam as amplas antologias do século, reparem Spielberg e ET por lá e veremos que eu tinha razão (rsrsrsrs). João Batista é que lembra como o cinema foi se firmando num momento de crise da linguagem literária. Mas ele tem uma história própria, foi afetado pelas crise de representação, mas se estabeleceu como narrativo e representacional. Então eu acho que tanto na crítica como na produção, esse cacoete de filme necessariamente lento, necessariamente com final aberto e infeliz, necessariamente anti-narrativo, anti-realista, é uma bobagem. Como postura já vi esse filme velho antes, tanto na produção como na recepção. É a aplicação anacrônica e ao pé da letra da rica noção de desautomatização, do efeito de estranhamento dos formalistas russos e o desconhecimento da noção de dialogismo em Bakhtin. E é achar que o modernismo dos anos 20 vai ser sempre a última palavra, se é moderno é novo, se é novo é moderno, (como diz o crítico Renato Pucci) e não sai nunca disso. Essas agressões ao público e ao cinema dominante já estão automatizadas, são códigos que também perderam a força. Não sou contra arte desconfortável, senão não teria passado dez anos estudando Clarice Lispector. Só que acho uma bobagem infantil esses dogmas que ainda levemente persistem no ambiente de cinema, entre alguns realizadores e alguns espectadores muito especializados, de achar que é só ir contra o cinema mainstream que o problema da criação está resolvido, que os problemas estéticos e políticos estão equacionados. Aí eu acho que fica valendo o provocativo poema-piada de Paulo Leminski: “Podem ficar com a realidade/Esse baixo astral/Em que tudo entra pelo cano//Eu quero viver de verdade/Eu fico com o cinema americano”. No mais, não vamos esquecer nunca a lição da bossa-nova, do tropicalismo, do grupo de Minas, do mangue beat: misturar altas exigências estéticas com alta comunicabilidade. Mas isso sem que também toda criação deva vir nesse sentido, há muita coisa interessante sendo feita com decência, beleza e arrojo para públicos menores, em várias épocas; veja Paulinho da Viola, João Donato, Arrigo Barnabé, Beto Brant, Rogério Sganzerla, Tom Zé. Só não dá para aturar é esse chá das chiques, grupos extremamente auto-referenciados, que, para se apartarem e destacarem da média do público, elegem só um tipo de cinema como representando o artistamente rentável. É uma forma de elitismo. Elitismo da classe média desesperada querendo exercer algum poder. Besteira, somos todos umas empregadinhas, como disse José Celso Martinez Corrêa. A classe média não tem mesmo prestígio, disse Borges – daí é mais tranqüilo, pode se sentir mais livre.
Allysson - Você trabalha tanto com filmes quanto com séries televisivas, qual é o que o instiga mais?
Mousinho - Cinema (rsrsrs).
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Há!!! - parte 01
Claro que estou falando de (Luiz Antonio) Mousinho. Tendo em vista que sempre estamos em contato por e-mail, mandei algumas perguntas para ele responder e, assim, eu utilizar as respostas como fala dele. Entretanto, a entrevista era apenas para colher informação, não era uma entrevista como gênero.
Ou eu não expliquei isso a ele ou ele esqueceu (o mais provável aehueaheauheau). Bem, o motivo não importa, o que vale a pena saber é que ele respondeu as perguntas como se a entrevista fosse para ser divulgada na íntegra, logo, tudo foi respondido enormemente. Já que ele teve trabalho (como ele mesmo fez questão de deixar claro eahueahueahuea) para responder tudo minuciosamente, eu resolvi postar toda a entrevista aqui no blog, mas em duas partes.
Não vou fazer uma descrição de Mousinho aqui, pois não tenho palavras suficientes para descrever esse professor/amigo tão foda (tá ficando muito meloso/gay eahueahueahueaheauhea, mas ele é foda mermo). Mas quem quiser saber um pouco mais sobre ele (pelo menos a parte acadêmica), é só visitar seu currículo lattes.

Allysson - Você tem uma pesquisa vinculada ao PIBIC, na graduação, qual o tema central dela?
Mousinho - Sim, estou começando o quarto ano de vinculação ao PIBIC. O assunto é estudo de ficção, em interface com a série social. Ou seja, o estudo do ficcional, com ênfase para o estético e em suas relações com as questões sociais representadas. O que chamo questões sociais aqui vai desde as representações das relações comunitárias e a violência nas favelas às relações amorosas e familiares nos estratos de classe média. E, claro, de alguma maneira leva em conta o ambiente de produção, circulação, consumo e resposta social dos audiovisuais estudados. Nos primeiros três anos, desenvolvi um projeto chamado Ficção e produção de sentido: dialogismo e interdisciplinaridade. Ao longo dos anos, foram sendo gerados planos de trabalho a partir desse projeto geral. No primeiro ano, o bolsista Arthur Lins estudou o seriado Cidade dos homens. Já no segundo, a bolsista Inara de Amorim Rosas prosseguiu, ampliando perspectivas, o estudo de Cidade dos homens, enquanto Arthur passou a estudar o romance e o filme O invasor, de Marçal Aquino e Beto Brant. Nos três projetos, além do estudo da ficção cinematográfica, demos atenção às relações cinema-literatura. No terceiro ano Inara Rosas prosseguiu estudando as questões das representações da amizade e das relações comunitárias, que vira em Cidade dos homens, só que trazendo esses aspectos para estudar o filme O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer. Aspectos da narratologia e de teorias do cinema e da literatura ampararam o processo de análise e interpretação dos textos audiovisuais e literários. No mesmo ano, e até julho passado, tivemos outro plano de trabalho gerado pelo projeto. Trata-se do estudo do filme Pequeno dicionário amoroso, de Sandra Werneck, realizado por Vanessa Queiroga, vendo a questão da representação da perspectiva narrativa, do tempo e da representação das relações amorosas na obra. O estudo cômico também foi ponto forte no projeto de Vanessa, rastreado a partir de estudos clássicos de Henri Bergson, Northrop Frye, Mikahil Bakhtin. O aspecto do cômico agora está sendo visto pela pesquisadora em A grande família, no projeto iniciado mês passado. Ao mesmo tempo, o novo bolsista, Afonso Manoel Barbosa, começa a estudar a paródia e estilização no filme Lisbela e o prisioneiro, de Guel Arraes. Os únicos projetos nos quais determinei o objeto a ser estudado foram os relacionados ao seriado Cidade dos homens. Os outros partiram de um leque amplo de títulos que sugeri aos bolsistas ou deixei que eles apontassem. A única exigência é a inserção no projeto geral. Os planos em desenvolvimento, agora, estão vinculados a um segundo projeto, que desdobra o primeiro e se chama Ficção audiovisual e produção de sentido. Nele, deixo um pouco a literatura de lado. Em compensação, na pós-graduação em Letras desenvolvo um projeto específico sobre relações literatura-ficção-audiovisual. Em ambos os projetos, adoto uma perspectiva fortemente textualista, mas procurando relacionar textos a contextos.
Allysson - As aulas ministradas para a especialização em letras têm algum vínculo com a pesquisa na graduação?
Mousinho - Não, não dou aula na especialização em Letras, dou aula nos cursos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em Letras, PPGL, um programa com 34 anos de existência, no qual fui aluno de mestrado na década de 90. Mas sim, o trabalho na pós têm relação com o que faço na graduação, sobretudo com disciplinas como Estética da Imagem do Som e Roteiro I, que ministrei até pouco tempo atrás, e com disciplinas como Crítica Cinematográfica, que ministro atualmente. São disciplinas que lidam com discussões sobre ficção audiovisual – cinema, sobretudo, e também ficção televisiva. Mas, mesmo numa disciplina como Realidade Brasileira, há vínculos, pois lidamos com crítica da cultura e vendo como os vários discursos – o ficcional, o jornalístico, o cinematográfico, o poético, o poético-musical, o cinema documentário, etc – lidam com as representações do real. E a disciplina que ministro agora no mestrado e doutorado se chama Tópicos especiais em cultura – Ficção e produção de sentido.
Allysson - Fiquei sabendo que você tinha um grupo de pesquisa no mestrado, mas que ele está desabilitado, sobre o que se tratava? Você pensa em voltar com as atividades dele?
Mousinho - Não, não é isso. Na verdade, o grupo é com alunos de Comunicação, no PIBIC, e se chama Ficção audiovisual e produção de sentido. O grupo existe há três anos, teve uma primeira etapa com participação dos primeiros bolsistas e voluntários, sobretudo Arthur Lins, Gregório Costa e Maurício Liesen. Ampliou-se bastante num segundo momento, com a participação de Inara Amorim Rosas, Vanessa Queiroga, Ricardo Oliveira, Lorena Luna, Mayara Lobo, Paulo Henrique Souto Maior e Gian Felipe. Faz um ano que as atividades do grupo estão resumidas ao trabalho intenso com os bolsistas e só com eles. Excesso de tarefas me impediu de continuar com os demais, em reuniões de grupo. Depois de seis anos e meio de DECOM e três anos atuando no mestrado e doutorado, só agora tive uma diminuição na carga horária da graduação, por determinação, válida para todos, baixada pela chefia de Pedro Nunes e Joana Belarmino. As três turmas de graduação, mais as de pós, mais a trabalhosa editoria geral da Revista Graphos (da qual me afasto em abril do ano que vem), além da produção científica em área nova, na qual venho produzindo e publicando em livros e periódicos locais e nacionais, me impediram de manter a regularidade das reuniões. Na verdade, ainda não há grupo na pós. Abri duas vagas ano passado, mas os quatro candidatos que concorreram não passaram na seleção. Este ano abri três, vamos ver o que acontece no processo de seleção. Com os mestrandos, a regularidade das atividades, incluindo voluntários, tende a se manter. E agora teremos lugar para nos reunirmos, com o prédio recém-concluído, pois antes saíamos procurando salas em outros centros ou nas praças da UFPB. Minhas disciplinas no PPGL também são cursadas por doutorandos, mas só poderei abrir vagas para orientandos de doutorado depois que dois orientandos meus de mestrado defenderem suas dissertações.
to be continued...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Yeah!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
VIII Desorganização em combate
Caralho! Está sendo foda. Começou com as ausências de pastas e credenciais. Porra, véi! É difícil fazer uma estimativa, tendo a grande maioria feita a inscrição antes? Pois é! Tudo bem só o credenciamento, mas vamos à abertura. LOTADO!!! Eu e milhões de pessoas acabamos perdendo a palestra inicial. Certo, certo! Deu mais gente que o esperado. Mas ainda tinham os monitores... Pois é! Mesmo sem ter assistido à palestra, podíamos assinar, pois nós tínhamos ido e a culpa não era nossa (precisávamos da presença para receber o certificado, no final). Porém, obrigar-nos a ficar lá na frente do auditório batendo papo só para assinar a lista no final, tenha dó!
Ninguém ali era criança, quase todos queriam realmente assistir à palestra, mas querer que ficássemos lá na frente só pra fazer pose. Nem! Era melhor deixar-nos assinar a lista e ir fazer algo de futuro (não que conversar não o seja). Isso foi segunda pela manhã! Voltei à tarde e os monitores não deixavam ninguém entrar nas salas, nem pra ficar no chão, e ainda diziam (MENTINDO) que eram os professores que não permitiam (sei que é mentira, pois o professor que coordenava a mesa-redonda que eu participei não disse isso e minha cunhada e prima não puderam entrar por esse motivo).
Vamos à terça. Eu tinha que apresentar um trabalho às 8 da manhã, a hora que iam começar a distribuir as credenciais, e eu ainda estava sem a minha. Tudo bem! Cheguei às 7:30 e fui pegar meu crachá, tive que ir direto à secretaria. Pelo menos, isso funcionou; eles entregaram minha credencial. Agora, nada podia dar errado, estava credenciado e ia chegar 10 minutos antes do início da sessão de comunicação que eu ia me apresentar.
Todo mundo falava que o coordenador que ia ficar nessa sessão era totalmente pontual e exigente, por isso, fiz de tudo para chegar uns minutos mais cedo, e cheguei. Entretanto, adivinha? Pois é! Ele NÃO FOI (quer dizer, não foi pra sessão, pois, logo quando ela terminou, eu o vi na Universidade ¬¬).
A desorganização ainda não terminou, eu estava pronto para apresentar desde às 7:50, MAS a monitora fez questão de chegar apenas às 8:10 EEEEEE, quando ela chegou, eu perguntei: o coordenador vai chegar de que horas, para a apresentação começar? Ela disse que ele já estava chegando... estou esperando até agora (quer dizer, eu e muita gente, pois fiquei sabendo que muitos coordenadores faltaram e teve até um palestrante que atrasou mmmmuuuuiiiitttoooo, mói de filho da puta esses cabas - com ressalva para os casos extremos).
Para completar, essa querida monitora, quando a outra palestrante chegou (às 8:20, a hora que a sessão dela realmente iria começar), a monitora fala para o povo que está lá que a palestrante chegou e vai começar a apresentar... COMO ASSIM? Eu cheguei 10 minutos antes da hora marcada para minha apresentação iniciar e ainda não tinha apresentado e, quando teoricamente a minha devia ter terminado, ela coloca a outra palestrante (que não tinha culpa nenhuma, pois estava em sua hora normal).
Mas, felizmente, tudo terminou "bem", pois a palestrante (Natália Xavier) era mó figura e disse que eu podia apresentar antes, porém, como ela já tinha distribuído o esquema da apresentação para o povo, achei mais coerente ela apresentar primeiro. Daí ela apresentou seu trabalho normalmente e eu comecei apresentar o meu... Só que nem tudo são flores, a outra palestrante (Marina Magalhães) tinha acabado de chegar e também queria apresentar. Aí, como ela atrasou muito e eu já estava no finalzinho do tempo dela, tive que interromper minha apresentação e ela falou o tempo restante. Acabou que nem eu e nem ela apresentamos o que realmente queríamos.
Apesar dos contratempos, foi tudo muito legal. Tinha um mói de gente e o melhor é que todo mundo estava lá realmente a fim de escutar o que tínhamos para falar. Por isso, foi realmente uma pena não ter dado tempo para apresentarmos tudo. Quem quiser conferir o artigo em que eu ia basear minha apresentação, é só olhar lá no site do Desorganização em combate, digo, Conhecimento em debate.
Sim, a outra apresentação que fiz, da mesa-redonda, foi mais tranqüila e organizada, apesar do calor e a sala não comportar todo mundo. PORÉM, a idéia de impedir o povo de entrar continuou e a política de mentira também. Minha prima chegou na hora e não conseguiu entrar, só porque as cadeiras estavam cheias (mas o chão estava lá disponível). Já para minha namorada (Mônica) conseguir entrar, minha amiga (Thaís) teve que ceder o lugar.
Ainda bem que os monitores entenderam que quem quer ficar no chão tem um bom motivo, acha o assunto importante e interessante, por exemplo, e não apenas quer uma porra de presença; e outra, isso não ocorre nem em palestras com expositores altamente conhecidos e consagrados. Na mesa-redonda que eu fui hoje, estava tudo bbbbbbeeeemmm melhor, pois os monitores deixaram o chão servir de assento àqueles que realmente queriam ver a apresentação (mas a sala parecia mais quente do que nunca).
Para quem quiser ver uma apresentação que provavelmente será a mais fodástica de todas, tem que ir hoje à noite, às 19h, no Audiotório 412 do CCHLA, pois terá Arturo Gouveia realizando uma palestra com o título de 100 Machados: a crítica desce aos infernos.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Orgulhoso de mim, em?
E apoi. Pode dar uma conferida e comentar lá ou/e aqui.
domingo, 19 de outubro de 2008
Nem Rutherford nem Bohr, mas, sim, o Famigerado.
Eu lembro que no primeiro período teve uma palestra de Ariano, na UFPB. Quase todo mundo da sala estava lá (se não todo mundo), e quase que eu apanhava, só porque eu disse que ele falava muita besteira, pois, para Ariano, só o que é feito nacionalmente/regionalmente presta. E pior ainda foi quando eu afirmei que votei em Augusto dos Anjos, para Paraibano do século. É foda perceber a intransigência de alguns... ainda mais sendo futuros jornalistas.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Agora vai!
Não é só foda eu perceber que muitos estudantes de jornalismo utilizam esse espaço da blogosfera para escrever e eu não; o que torna tudo mais vergonhoso, para mim, é que sou um estudante que tem uma pesquisa cujo tema está relacionado à blogosfera, mas não sou - dói admitir - um verdadeiro usuário de blog.
Entretanto, agora tudo vai mudar (pois é! os livros de auto-ajuda conseguiram). Tenho que ter comprometimento e postar com freqüência e, principalmente, postar algo que preste, né? Porque não adianta eu vir postar qualquer coisa só para encher linguiça e poder dizer: eu postei, tá vendo? Prefiro seguir o conselho de Julio Borges, do Digestivo cultural, quando fala que "antes de emitir uma opinião, olhe em volta, pense bastante – fale só se for acrescentar alguma coisa à conversação".
Agora, vou dizer. Tem muita gente que acha que escrever em blog é fácil, pois, meu amigo, não é. Estive conversando com alguns colegas e percebi que não era só eu quem tinha dificuldade para manter uma periodicidade. É pau! Dodó já dizia que "para escrever bem é necessário sofrer", afinal, escrever porcaria não vale.
Para escrever (em blog) tem que ter talento, é difícil manter a periodicidade com textos interessantes, criativos e, muitas vezes aleatórios e desordenados, mas que mantêm também uma ordem. E já percebeu como mulher tem essa facilidade? E apoi, eu e minha amiga Bruna (ela está solteira, em? e vai me matar, quando vir isso) percebemos que os blogs que lemos e achamos mais interessantes são escritos por mulheres (afinal, elas têm tempo livre, num fazem nada...), como é o caso do meu blog favorito, Calcinhas no box, do favorito dela, Fonte cor de rosa; apesar de que concordamos também que há blogs com textos bem interessantes escritos por homem, como o recém-conhecido por mim e por ela.
Pois é! Essa foi a postagem do renascimento deste blog, que irá tratar de assuntos de Platão à salsicha, com pitadas de comentários críticos, afinal, conservadorismo não dá, né? E, parafraseando um pouco as meninas do calcinhas, não pretendo ser politicamente correto e irei discutir apenas assuntos importantes e interessantes (para mim, claro!).
putaqueopariu, weblogs!
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Impresso para quê?
Os estudantes entram em um curso de jornalismo pensando, principalmente, na produção de matérias e nos jornais que eles próprios irão fazer; entretanto, a realidade encontrada é bem diferente (pelo menos na UFPB) e esses estudantes logo são desestimulados, tanto pelo sucateamento do curso quanto pelos professores, que não procuram novos métodos para estimular o alunado.
O discente de jornalismo, quando se depara com a realidade do curso, vê que nem tudo é um mar de rosas, aliás, nem ao menos um açude delas. Enquanto se vê uma distinção clara entre teoria e prática (que não deveria existir), os estudantes são levados apenas a um curso de comunicação (neste contexto, entendendo comunicação como teoria e jornalismo como prática), onde a teoria é ensinada de forma muito eficiente, cuidada com um zelo aprazível pelos professores.
Entretanto, as cadeiras que deviam servir de base para a práxis da profissão são totalmente sucateadas; além de não haver professores para ministrá-las, os alunos não conseguem produzir o tão desejado jornal e, quando produzem, ele só sai meses após a escritura dos textos. A maior falta de
estímulo, para os alunos, é não ver os seus textos publicados, já que eles escrevem as matérias apenas para os professores guardá-las em uma gaveta empoeirada ou em um velho escaninho, sendo ainda possível que seu texto tenha como destino a “Ilha das flores”.
Em meio às facilidades que tanto se ouve falar no contexto das novas mídias digitais, vê-se essas facilidades pouco aproveitadas pelos docentes. Eles deveriam conhecer um pouco mais sobre mídia – já que se dizem estudiosos dela –, ou pelo menos explorá-la de um modo mais eficiente, o que melhoraria tanto a condição deles, pois teriam um alunado mais interessado, quanto a dos próprios estudantes, que estariam estimulados e, assim, teriam um rendimento melhor.
Será mesmo que a falta de ferramentas e materiais é a desculpa para esse marasmo dos professores? Acredito que não. É fato que produzir jornal não é fácil e, principalmente, com a falta de recurso que temos. Entretanto, os obstáculos estão aí para nós superá-los. Se os docentes de comunicação parassem mais de pensar nos problemas e de viver reclamando deles, o curso de jornalismo seria um espaço melhor para todos.
Os estudantes preferem, é claro, ver seus textos publicados em um jornal, ainda mais se feito por eles; mas sabemos que, atualmente, não é possível, a não ser que queiramos ver essa edição apenas uma vez, e no final do período, quando a emoção e instigação já terão acabado ou diminuído vastamente.
Seria demais os professores tentarem adaptar as novas mídias à nossa realidade? Desde 2003, na Universidade do Porto, os blogs são usados como um escoadouro de produção dos alunos. Os professores dessa instituição adotaram o weblog como uma espécie de ciberjonal, onde os estudantes deveriam escrever as matérias e publicá-las nesse novo meio de veicular informação.
O blog é muito fácil de ser usado e atualizado; ele pode servir também para revigorar a prática jornalística, já que, em algumas instituições, a veiculação dos textos dos alunos, através da feitura do jornal, torna-se difícil. Salientando também que o blog proporciona uma maior visibilidade ao estudante, que poderá ter seus textos lidos também por profissionais.
Quem sabe os professores não param de olhar para o próprio umbigo e, como estudiosos da mídia, pensam em como utilizá-la de forma mais instigante e estimulante, tanto para eles quanto para os iniciados nesse universo.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Circo sem pão

O que esta sociedade moderna deixou para trás? No que ela está se tornando? Como anda a cultura de massa brasileira? Foi respondendo a estas e a outras perguntas que o filme Bye, bye Brasil ganhou notoriedade.
O filme trata, de maneira bastante cômica, da destruição da cultura popular, da iminente industrialização em que se encontra o Brasil, “estereotipando” e “clicherizando” alguns personagens, entre outros temas. Ele ainda mexe na ferida social de modo bastante inteligente; tira o foco da crítica aparente colocando uma ironia e comicidade para mascará-la, devido à problemática da censura na época ditadura.
Bye, bye Brasil é um filme brasileiro de 1979, dirigido por Cacá Diegues. O filme foi tão bem cotado que participou do festival de Cannes, na França – festival de filmes mais conceituado. Mas, até hoje, o único filme brasileiro que conseguiu tal graça foi O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte.
Um dos assuntos mais importantes que o filme aborda é o da destruição da cultura popular e da massificação que a culturas exteriores, principalmente a americana, implantam em nosso território e no consciente e inconsciente das pessoas.
Isso fica claro, no filme, quando é mostrado o quão banalizada está nossa cultura, devido, principalmente, à influência americana. Um exemplo do que foi dito é a caravana guiada por José Wilker e Betty Faria – protagonistas, juntos com Fábio Junior -, visto que a caravana é denominada de “Rolidei” – escrito assim devido à essa banalização cultural.
Ele ainda mostra como é precário o estudo da grande massa – banalizado por causa da “glamourização” da cultura americana –, já que, depois de sete anos, ele – Lorde Cigano, interpretado por Wilker – admite o quão ignorante eles eram, pois escreviam “Rolidei” errado. Agora ele sabia como era a escrita correta. Lorde Cigano descobriu que “Rolidei” se escreve com “y” – ainda pronunciando a letra de forma incorreta, aportuguesando-a –, ou seja, o correto é escrever “Rolidey”, que é como a caravana passa a ser escrita.
O filme mostra também como o povo brasileiro é heterogêneo e híbrido, “bebendo” de várias culturas diversificadas, de vários povos diferentes e etnias diferentes. As particularidades de algumas culturas (Européia, Oriental, Negra, Indígena, por exemplo) ajudam a compor a cultura brasileira.
Ele mostra o processo de modernização que nosso país sofreu (e ainda sofre). Um dos exemplos explicitados no filme é que as pessoas não querem mais ir ao circo, não querem mais fazer as atividades “simples” que faziam antes. E isto é provado no momento em que a “Caravana Rolidei” sofre com pouca, ou até nenhuma, clientela nos lugares em que havia a – então novidade – televisão. Por exemplo, quando eles chegavam às cidades que tinham “escamas de peixe” – antenas –, eles logo se retiravam, pois sabiam que ali não iam ter lucro algum.
Há outra cena que corrobora o que foi dito acima, que é quando Lorde Cigano decide ir a uma cidade em que o prefeito tinha um acordo de negócios com ele (iria ajudá-lo no momento em que precisasse). Só que o prefeito rompeu o acordo e colocou uma televisão comunitária no meio da praça pública, enfurecendo o Lorde, que briga com o prefeito, tendo em vista que, por causa do ato deste, toda a população estava fascinada pela tevê e, principalmente, por causa de Dancing Days (que estava passando na hora em que eles chegaram) – febre geral no final dos anos 70.
Durante o filme, vemos muitas ações dispares para época – já que o filme se passa na década de 70 –, por exemplo, índios bebendo coca-cola e escutando rock and roll, boates tocando música estrangeira em plena Amazônia e a própria caravana que tem um nome estrangeiro errado. Acontecimentos que hoje em dia não são tão insólitos, devido à grande modernização que o Brasil sofre.
Neste filme há também, como em muitos filmes brasileiros antigos, cenas de erotismo. Mas isto tinha como propósito afrontar os militares, que eram cheio da “moral” e dos “bons costumes”. Artimanha também usada pelos integrantes do Secos & Molhados (principalmente Ney Matogrosso).
