Os estudantes entram em um curso de jornalismo pensando, principalmente, na produção de matérias e nos jornais que eles próprios irão fazer; entretanto, a realidade encontrada é bem diferente (pelo menos na UFPB) e esses estudantes logo são desestimulados, tanto pelo sucateamento do curso quanto pelos professores, que não procuram novos métodos para estimular o alunado.
O discente de jornalismo, quando se depara com a realidade do curso, vê que nem tudo é um mar de rosas, aliás, nem ao menos um açude delas. Enquanto se vê uma distinção clara entre teoria e prática (que não deveria existir), os estudantes são levados apenas a um curso de comunicação (neste contexto, entendendo comunicação como teoria e jornalismo como prática), onde a teoria é ensinada de forma muito eficiente, cuidada com um zelo aprazível pelos professores.
Entretanto, as cadeiras que deviam servir de base para a práxis da profissão são totalmente sucateadas; além de não haver professores para ministrá-las, os alunos não conseguem produzir o tão desejado jornal e, quando produzem, ele só sai meses após a escritura dos textos. A maior falta de
estímulo, para os alunos, é não ver os seus textos publicados, já que eles escrevem as matérias apenas para os professores guardá-las em uma gaveta empoeirada ou em um velho escaninho, sendo ainda possível que seu texto tenha como destino a “Ilha das flores”.
Em meio às facilidades que tanto se ouve falar no contexto das novas mídias digitais, vê-se essas facilidades pouco aproveitadas pelos docentes. Eles deveriam conhecer um pouco mais sobre mídia – já que se dizem estudiosos dela –, ou pelo menos explorá-la de um modo mais eficiente, o que melhoraria tanto a condição deles, pois teriam um alunado mais interessado, quanto a dos próprios estudantes, que estariam estimulados e, assim, teriam um rendimento melhor.
Será mesmo que a falta de ferramentas e materiais é a desculpa para esse marasmo dos professores? Acredito que não. É fato que produzir jornal não é fácil e, principalmente, com a falta de recurso que temos. Entretanto, os obstáculos estão aí para nós superá-los. Se os docentes de comunicação parassem mais de pensar nos problemas e de viver reclamando deles, o curso de jornalismo seria um espaço melhor para todos.
Os estudantes preferem, é claro, ver seus textos publicados em um jornal, ainda mais se feito por eles; mas sabemos que, atualmente, não é possível, a não ser que queiramos ver essa edição apenas uma vez, e no final do período, quando a emoção e instigação já terão acabado ou diminuído vastamente.
Seria demais os professores tentarem adaptar as novas mídias à nossa realidade? Desde 2003, na Universidade do Porto, os blogs são usados como um escoadouro de produção dos alunos. Os professores dessa instituição adotaram o weblog como uma espécie de ciberjonal, onde os estudantes deveriam escrever as matérias e publicá-las nesse novo meio de veicular informação.
O blog é muito fácil de ser usado e atualizado; ele pode servir também para revigorar a prática jornalística, já que, em algumas instituições, a veiculação dos textos dos alunos, através da feitura do jornal, torna-se difícil. Salientando também que o blog proporciona uma maior visibilidade ao estudante, que poderá ter seus textos lidos também por profissionais.
Quem sabe os professores não param de olhar para o próprio umbigo e, como estudiosos da mídia, pensam em como utilizá-la de forma mais instigante e estimulante, tanto para eles quanto para os iniciados nesse universo.
2 comentários:
gostei, axei que mostrou bem o que os alunos passam dentro na universidade.
Conhece o http://periodicos.ufpb.br?
Se o processo de revisão e editoria for ágil o suficiente, é possível utilizar deste meio.
Se bem que se for para publicar de forma impressa 'axei', melhor que não seja nem em comentário de blog.
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