quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Retornando às aulas, ao grupo e aos blogs

E aí, pessoa? O blog passou um tempo parado, mas como a metade de meia dúzia de leitores que tenho sabe, nas férias eu sumo dos blogs. Como fico muito tempo na internet/computador em época de aula, quando elas acabam quero ficar o mínimo possível escrevendo e lendo nas telas, a não ser em casos em que sou obrigado, claro.

A primeira semana de aula está boa. Ontem, tive a estreia do semestre numa disciplina que me instigou bastante, da qual já falei no Recurso Mnmeônico. Hoje, Bob, Cunha e eu estávamos chegando em casa após a primeira reunião do GJOL no semestre, quando o primeiro percebe que a locadora (sim, isso ainda existe em Salvador, ao menos por enquanto) em frente ao Tropicasa está vendendo DVD's a partir de R$ 2,99.

Apesar do "a partir", grande parte era por esse preço mesmo, não tinha aquela enrolação de apenas alguns filmes ruins e que ninguém gosta ser R$ 2,99 e os bons 10 reais. Resumindo, saí com 3 DVD's e gastei somente R$ 11: Forrest Gump (DVD duplo, com comentário do diretor e do produtor, documentário, teste de atores etc.) por 3 reais; Sweeney Todd (um dos musicais que mais gosto) pelo mesmo preço; e Star Wars: The Clone Wars (ainda que eu não goste tanto deste filme, qualquer produto de Star Wars por 5 reais é irresistível).

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Salvador é caótica até na calmaria

Época de São João, tudo mundo feliz na Bahia. Uns porque viajaram para o interior, estão curtindo a época junina como gostam (e como eu queria também, comendo e bebendo as coisas típicas da data, perto de fogueira... só tiraria o forró 24h por dia); outros mais felizes ainda porque Salvador está vazia, sem ninguém na rua, sem trânsito engarrafado.

Na quarta-feira, véspera de Corpus Christi, a cidade já estava bem vazia, todo mundo se preparava para viajar ou estava viajando. Ainda assim, Wilson fez questão de dar aula, e nós éramos as únicas almas na Facom. Chegando lá, o segurança já foi nos acalmando, dizendo que uma jovem havia sido assaltada, que era bom o professor terminar a aula mais cedo; não foi o que aconteceu, mas espero que todos tenham chegado bem em casa.


Lembro que falei para Cunha, está todo mundo viajando, a cidade está vazia, só ficaram os bandidos para assaltar a gente. Dito e feito. Quer dizer, quase, ninguém aqui em casa foi assaltado, mas hoje escutei policiais gritando aqui em frente ao Tropicasa: encosta e bota a mão na cabeça!


Corri para a janela de Paulo e para a de Cunha e tirei fotos. Dois homens estavam sendo revistados por três policiais - um deles com arma na mão. De repente, chegam mais três policiais (estes estavam com armas grandes, diferente do primeiro) numa viatura para ajudar a colocar os dois homens no carro.


E esta é Salvador, não perde sua essência (espero que nenhum latouriano esteja lendo isso) mesmo tendo apenas uma pequena parte de seus habitantes.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Conselho de Rochelle sobre o CNPq

No episódio Todo Mundo Odeia Playboy, do seriado Todo Mundo Odeia o Chris, Rochelle não poderia estar mais certa ao listar o CNPq com outras siglas e doenças que podem levar à morte. Não estou reclamando do auxílio, pois é fundamental, junto com outros, para a pesquisa no Brasil e, obviamente, gostaria de tê-lo. Porém, se eu e muitos dos meus colegas ficarmos apenas esperando a bolsa para sobreviver, vamos morrer de fome. Até agora, apenas aproximadamente 1/3 dos aprovados no mestrado deste ano do PósCom/UFBA receberam o tão sonhado auxílio.


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Desculpas para ler textos em cima da hora... ou descrevendo actantes

Como sempre aconteceu desde a criação deste blog, não consigo manter uma atualização razoável (ao menos uma vez por semana). Tinha me comprometido desde o ano passado a fazer isso, mas alguns percalços no caminho me impedem. E sempre acabo fazendo postagens com mea culpa. A última atualização foi realizada há mais de um mês, porém o mestrado é mais do que uma desculpa pertinente para o atraso, não? Quer dizer, ele não me dá de comer, mas espero que o faça em breve.

Objetivo da postagem: identificar quais motivos fazem uma pessoa (leia-se eu) ler os artigos da disciplina do Wilson na noite anterior ou até mesmo horas antes de a aula começar. Hipótese: As estruturas dos papers, bem como as variáveis socio-demográficas e os eventos externos, influenciam para que a leitura seja feita em cima da hora (na verdade, geralmente é só um texto que fica pendente até o último momento).

Parando com esses formatos chatos, vamos ao que interessa. Cunha tinha dito que era irresponsabilidade minha ler os artigos em cima da hora. Daí falei que existem motivos para que eu não os leia antecipadamente. Vamos abrir a caixa preta e tentar enxergar os actantes. Naquela semana que ele me trollou, tive, por exemplo:

- show do Matanza. A banda tinha lançado o CD novo há apenas um mês e o show fazia parte da turnê desse novo álbum. Logo, eu não poderia ir à apresentação sem ter escutado e decorado as músicas, não é? Então foi isso que fiz: escutei muito o CD e tentei aprender as músicas; isso, obviamente, levou algum tempo. O que fez essa apresentação ser um dos actantes mais importantes é o fato de eu ter perdido os dois últimos shows do Matanza em João Pessoa. O penúltimo porque eles não tinham lançado nada novo e eu ia ouvir o mesmo repertório das duas primeiras apresentações que fui. E o último perdi por causa do preço. Era um festival e a principal banda do dia em que Matanza ia tocar era Angra, aí depois vinha Sepultura e Matanza. Portanto, eu ia pagar o ingresso mais pelas outras duas, que nem me interessavam, sobretudo Angra.

- jogo do Flamengo. Sempre tento não ver o jogo, pois geralmente estou atrasado nas leituras, mas quem disse que consigo? Fui doutrinado desde criança a ser rubro-negro, a ver os jogos, a me desesperar, a torcer e isso não vai mudar agora, afinal, "Flamengo até morrer, eu sou!".

- videogame e bebida com os vizinhos. Alguém acha que socializar não é importante? Para mim, é fundamental, principalmente quando PES no Playstation 3 está envolvido.

- outros textos, outras disciplinas, outros interesses. Não é novidade que os artigos dessa disciplina não me interessam tanto e não vão me servir, possivelmente, depois que ela acabar - quer dizer, considerando que até agora estudamos duas teorias apenas, tenho esperança que o priming, ou outra, ajude-me de alguma maneira. Além do mais, os textos dessa matéria "competem" com leituras mais legais (relacionadas ao meu projeto - principalmente - ou mesmo a outra disciplina que curso), que "entram na carne" - como diria Sodré. Por conseguinte, ficar instigado para ler esses artigos se torna ainda mais árduo.

- fazer artigo. Não só de ficar encarcerado na sala de aula vive o mundo acadêmico, não é? Aliás, a parte mais legal disso tudo é produzir e discutir sua produção. Portanto, mais uma vez a leitura vai sendo escanteada.

- revisar monografia. Tive, na semana desses acontecimentos, de revisar minuciosamente a minha monografia. Em breve, revelo o porquê de eu fazer isso e #oremos para que a informação seja a melhor possível.

- avaliar trabalho do Intercom. Não contente com tudo isso, o Intercom me manda um trabalho para avaliar logo na semana em que estou mais "atarefado".

- três problemas inerentes à leitura: idioma do artigo (nunca rola um portuguesinho para aliviar); temas chatos (sabe aqueles assuntos que se lê e pensa: como alguém tem saco para se debruçar sobre isso? Todavia, devo fazer um adendo: na semana passada e nesta, os artigos até que foram legais; óbvio que legal e chato são alcunhas que distribuo de maneira totalmente subjetiva, não levando em consideração, aqui, a importância do estudo para a área); linguagem de outras áreas (modelos e regressões estatísticas, além de outras coisas que faço questão de esquecer).

- por fim, NÃO TENHO BOLSA. Faço tudo isso de graça, apenas pelo amor ao conhecimento e ao estudo NOT. E ainda cobram que a gente publique e participe dos principais eventos da área. Ora! Primeiro tenho de sobreviver, né? De viver nem faço questão, mas sobreviver é fundamental.



* A ironia é que esta semana - logo quando faço a postagem - foi atípica: terminei os textos dias antes do prazo. A aula é quarta à tarde e domingo à noite já estava tudo pronto.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Acidente em frente ao Tropicasa


Fotos tiradas sem flash para o pessoal não perceber que tinha um doido fotografando no prédio da frente

Uma mulher acabou de bater seu carro em um motoqueiro, em frente ao Tropicasa (prédio onde moro). Mas isso não é de se espantar, pois o trânsito em Salvador é caótico. Difícil foi vê-la chorando e se perguntando: "Meu deus! como vou pagar o conserto do carro?". Depois de alguém acalmá-la, ela virou para o motoqueiro, que estava puto, e falou: "Moço, fique nervoso não. Pode colocar sua moto aí dentro do meu prédio" (ela estava entrando em seu prédio, que é exatamente em frente ao meu, quando aconteceu o acidente).

Como não ficar nervoso quando uma doida bate o carro em você e se preocupa apenas com o próprio veículo? Por sorte, o senhor não se feriu. Sorte mesmo, já que a batida foi bem forte, destruiu a frente do carro e a moto. Ele deve ter pulado na hora, ou algo assim. Mas ainda acho estranho como ele não se machucou, pois ele estava um pouco veloz. Ela nem tanto, pois estava do outro lado da rua parada, aí acelerou para entrar na garagem do prédio.

Impressionante que, na mesma hora do acidente, o pessoal aqui já começou a buzinar. O trânsito de Salvador parece que é movido por buzina, para acrescentar tempero à loucura. O sinal fica verde, o pessoal já buzina, em engarrafamento, a mesma coisa. Parece até que, no caso do engarrafamento, os carros não estão se movendo porque não querem. E para perceber a loucura não precisamos de muito tempo. Aqui, por exemplo, quando os sinais (semáforos/faróis) ficam vermelho para os motorizados, as pessoas ficam com medo de passar na faixa, pois sempre há um doido que ultrapassa, sobretudo moto.

Bem verdade que em Recife, lá perto do Marco Zero, também não há ordem. A faixa de pedestre é apenas um enfeite, passei quase 15 minutos com o braço estendido e ninguém parou. Em João Pessoa, é bem diferente. Os jornais tiveram de noticiar para os pedestres começarem a respeitar mais o trânsito, pois os motoristas paravam na faixa, aí muitos pedestres atravessavam fora.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"It's been a bad day"*

A metade de meia dúzia de leitores que tenho deve ter percebido que o blog está parado, as atualizações deixaram de ser regra para virar exceção.

A culpa não é minha (claro que é, afinal, quem atualiza isso?). O mestrado está comendo no centro. Quem pensa que isso aqui é fácil, é melhor desacreditar imediatamente. Um situação na aula de ontem resume bem como é o esquema: André falava das formigas e da vida social delas... de repente Mônica vira para mim e diz: até formiga tem vida social, já pós-graduando...

Há um certo exagero, claro, mas é por aí. Não lembro de um dia que eu não tenha pensando em algum texto, seminário ou algo afim. Esta semana foi/está sendo muito tranquila. Ontem, seminário da metade de um livro de Bruno Latour. Ou seja, tivemos de ler aproximadamente 150 páginas no período de uma semana e para outra semana será a mesma coisa - a metade final do livro. Verdade que a obra que estamos discutindo (A vida de laboratório) é mais fácil do que a que debatemos primeiro (Jamais fomos modernos), porém é bem maior - o primeiro livro foi divido em 90 páginas para a primeira semana e 50 para a semana subsequente.

Todavia, ainda que este livro de agora seja mais fácil, ler 150 páginas e preparar seminário não é legal. Sobretudo, quando há os dois artigos em inglês de praxe da aula de Wilson. Por sinal, na primeira rodada de seminários, "o algoritmo" me escolheu e tive de apresentar, mas não vamos falar disto. O #willgomesday deve ser esquecido.

Achando que não tinha como piorar, eis que ficamos incumbido de ler um livro para a próxima semana, para a reunião do GJOL. Sabe o que é melhor? Ele só tem 358 páginas e é em espanhol. Ou seja, leitura para um disciplina em português (embora Latour pareça grego às vezes), para outra em inglês e em espanhol para o grupo. Para facilitar, tem de preparar seminário para todos os textos (com exceção do GJOL, que escolhemos antes quem vai se encarregar de apresentar cada texto). Ah! E não tem intervalo de dia, uma aula é na terça, outra na quarta e quinta reunião do grupo.

Mas não tem como ficar mais pesado, né? Mais uma vez estou errado. A partir da semana que vem, nenhum texto será em português. Ou seja, se ler Latour é difícil em nossa língua, imagine em outra? Infelizmente, os próximos livros que André vai passar do autor não possuem versão em português, portanto, mais tempo destinado à leitura (já que leio em inglês mais devagar do que em português).

E o melhor de tudo isso: ainda não tenho bolsa. Ou seja, faço tudo pelo amor ao estudo e ao conhecimento ¬¬. Mas espero que a bolsa não demore, depois de três meses não saberei mais o que fazer.



* Acho que "dia" não seria o mais adequado, talvez semana, mês ou mesmo semestre. Mas o título é por causa desta música do R.E.M.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vida de mestrando não é fácil

Antes de começarem as aulas, eu pensava que o mestrado não ia ser tão difícil, dois artigos tranquilos por semana, uma pessoa apresenta e assim segue a vida. Na verdade, pensava isso antes de chegar aqui, pois desde o domingo (13) que pisei no Tropicasa (prédio onde moro) o pessoal toca o terror. E com motivo...

Primeiro, além dos textos das aulas, há aqueles passados pelo orientador. E os textos não são fáceis, não são (quase todos) em português, os seminaristas são selecionados na hora (toda semana tem de estar preparado para apresentar), não são só artigos em outra língua, mas livros (artigo é até tranquilo, mas uma obra longa e densa é de doer), não são textos de 15 páginas cada, os professores tocam terror, entre outros pormenores.

Por falar em tocar terror, parece que este é o hobby deles, e foi o que me deixou mais amedrontado. Ambos falaram que não se importam com outras disciplinas que cursamos, com outras atividades que fazemos, com nossas vidas pessoais e por aí vai. No entanto, não posso deixar que os dois falem assim, tenho de tomar uma atitude, chegar e falar na cara de um deles. Afinal, como assim os dois vão destruir minha vida?

Eles estão totalmente enganados se pensam assim, que vão acabar com minha rotina. Um dos dois têm de saber e tenho de escolher qual. Afinal, os dois não vão ter esse gostinho. Logo uma vida, que depois de destroçada não tem mais jeito. Por isso penso em dizer mesmo: olha, professor, infelizmente, só tenho uma vida... até queria ter duas, para deixar ambos contentes, mas o senhor vai ter de brigar com o outro professor para decidir quem vai me destruir primeiro.



p.s.: Para mais desastres na vida de um pós-graduando, acesse twitter e site do "Pós-graduando".