quarta-feira, 23 de julho de 2008

Impresso para quê?

Os estudantes entram em um curso de jornalismo pensando, principalmente, na produção de matérias e nos jornais que eles próprios irão fazer; entretanto, a realidade encontrada é bem diferente (pelo menos na UFPB) e esses estudantes logo são desestimulados, tanto pelo sucateamento do curso quanto pelos professores, que não procuram novos métodos para estimular o alunado.


O discente de jornalismo, quando se depara com a realidade do curso, vê que nem tudo é um mar de rosas, aliás, nem ao menos um açude delas. Enquanto se vê uma distinção clara entre teoria e prática (que não deveria existir), os estudantes são levados apenas a um curso de comunicação (neste contexto, entendendo comunicação como teoria e jornalismo como prática), onde a teoria é ensinada de forma muito eficiente, cuidada com um zelo aprazível pelos professores.


Entretanto, as cadeiras que deviam servir de base para a práxis da profissão são totalmente sucateadas; além de não haver professores para ministrá-las, os alunos não conseguem produzir o tão desejado jornal e, quando produzem, ele só sai meses após a escritura dos textos. A maior falta de estímulo, para os alunos, é não ver os seus textos publicados, já que eles escrevem as matérias apenas para os professores guardá-las em uma gaveta empoeirada ou em um velho escaninho, sendo ainda possível que seu texto tenha como destino a “Ilha das flores”.


Em meio às facilidades que tanto se ouve falar no contexto das novas mídias digitais, vê-se essas facilidades pouco aproveitadas pelos docentes. Eles deveriam conhecer um pouco mais sobre mídia – já que se dizem estudiosos dela –, ou pelo menos explorá-la de um modo mais eficiente, o que melhoraria tanto a condição deles, pois teriam um alunado mais interessado, quanto a dos próprios estudantes, que estariam estimulados e, assim, teriam um rendimento melhor.


Será mesmo que a falta de ferramentas e materiais é a desculpa para esse marasmo dos professores? Acredito que não. É fato que produzir jornal não é fácil e, principalmente, com a falta de recurso que temos. Entretanto, os obstáculos estão aí para nós superá-los. Se os docentes de comunicação parassem mais de pensar nos problemas e de viver reclamando deles, o curso de jornalismo seria um espaço melhor para todos.


Os estudantes preferem, é claro, ver seus textos publicados em um jornal, ainda mais se feito por eles; mas sabemos que, atualmente, não é possível, a não ser que queiramos ver essa edição apenas uma vez, e no final do período, quando a emoção e instigação já terão acabado ou diminuído vastamente.


Seria demais os professores tentarem adaptar as novas mídias à nossa realidade? Desde 2003, na Universidade do Porto, os blogs são usados como um escoadouro de produção dos alunos. Os professores dessa instituição adotaram o weblog como uma espécie de ciberjonal, onde os estudantes deveriam escrever as matérias e publicá-las nesse novo meio de veicular informação.


O blog é muito fácil de ser usado e atualizado; ele pode servir também para revigorar a prática jornalística, já que, em algumas instituições, a veiculação dos textos dos alunos, através da feitura do jornal, torna-se difícil. Salientando também que o blog proporciona uma maior visibilidade ao estudante, que poderá ter seus textos lidos também por profissionais.


Quem sabe os professores não param de olhar para o próprio umbigo e, como estudiosos da mídia, pensam em como utilizá-la de forma mais instigante e estimulante, tanto para eles quanto para os iniciados nesse universo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Circo sem pão


O que esta sociedade moderna deixou para trás? No que ela está se tornando? Como anda a cultura de massa brasileira? Foi respondendo a estas e a outras perguntas que o filme Bye, bye Brasil ganhou notoriedade.

O filme trata, de maneira bastante cômica, da destruição da cultura popular, da iminente industrialização em que se encontra o Brasil, “estereotipando” e “clicherizando” alguns personagens, entre outros temas. Ele ainda mexe na ferida social de modo bastante inteligente; tira o foco da crítica aparente colocando uma ironia e comicidade para mascará-la, devido à problemática da censura na época ditadura.

Bye, bye Brasil é um filme brasileiro de 1979, dirigido por Cacá Diegues. O filme foi tão bem cotado que participou do festival de Cannes, na França – festival de filmes mais conceituado. Mas, até hoje, o único filme brasileiro que conseguiu tal graça foi O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte.

Um dos assuntos mais importantes que o filme aborda é o da destruição da cultura popular e da massificação que a culturas exteriores, principalmente a americana, implantam em nosso território e no consciente e inconsciente das pessoas.

Isso fica claro, no filme, quando é mostrado o quão banalizada está nossa cultura, devido, principalmente, à influência americana. Um exemplo do que foi dito é a caravana guiada por José Wilker e Betty Faria – protagonistas, juntos com Fábio Junior -, visto que a caravana é denominada de “Rolidei” – escrito assim devido à essa banalização cultural.

Ele ainda mostra como é precário o estudo da grande massa – banalizado por causa da “glamourização” da cultura americana –, já que, depois de sete anos, ele – Lorde Cigano, interpretado por Wilker – admite o quão ignorante eles eram, pois escreviam “Rolidei” errado. Agora ele sabia como era a escrita correta. Lorde Cigano descobriu que “Rolidei” se escreve com “y” – ainda pronunciando a letra de forma incorreta, aportuguesando-a –, ou seja, o correto é escrever “Rolidey”, que é como a caravana passa a ser escrita.

O filme mostra também como o povo brasileiro é heterogêneo e híbrido, “bebendo” de várias culturas diversificadas, de vários povos diferentes e etnias diferentes. As particularidades de algumas culturas (Européia, Oriental, Negra, Indígena, por exemplo) ajudam a compor a cultura brasileira.

Ele mostra o processo de modernização que nosso país sofreu (e ainda sofre). Um dos exemplos explicitados no filme é que as pessoas não querem mais ir ao circo, não querem mais fazer as atividades “simples” que faziam antes. E isto é provado no momento em que a “Caravana Rolidei” sofre com pouca, ou até nenhuma, clientela nos lugares em que havia a – então novidade – televisão. Por exemplo, quando eles chegavam às cidades que tinham “escamas de peixe” – antenas –, eles logo se retiravam, pois sabiam que ali não iam ter lucro algum.

Há outra cena que corrobora o que foi dito acima, que é quando Lorde Cigano decide ir a uma cidade em que o prefeito tinha um acordo de negócios com ele (iria ajudá-lo no momento em que precisasse). Só que o prefeito rompeu o acordo e colocou uma televisão comunitária no meio da praça pública, enfurecendo o Lorde, que briga com o prefeito, tendo em vista que, por causa do ato deste, toda a população estava fascinada pela tevê e, principalmente, por causa de Dancing Days (que estava passando na hora em que eles chegaram) – febre geral no final dos anos 70.

Durante o filme, vemos muitas ações dispares para época – já que o filme se passa na década de 70 –, por exemplo, índios bebendo coca-cola e escutando rock and roll, boates tocando música estrangeira em plena Amazônia e a própria caravana que tem um nome estrangeiro errado. Acontecimentos que hoje em dia não são tão insólitos, devido à grande modernização que o Brasil sofre.

Neste filme há também, como em muitos filmes brasileiros antigos, cenas de erotismo. Mas isto tinha como propósito afrontar os militares, que eram cheio da “moral” e dos “bons costumes”. Artimanha também usada pelos integrantes do Secos & Molhados (principalmente Ney Matogrosso).

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Elefantídeos

Não sabia que era tão formoso.
Mas o vi pessoalmente,
Pela primeira vez,
E achei-o prodigioso.

Não idealizava que
Fosse tão sebáceo,
Porém, sincronicamente,
Tão belo e sensível.

Mesmo com todo
Seu tamanho e impolidez,
Conseguia ser admirável.
Apesar de sempre estar solitário.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Mais um dia por aqui

Hoje, aparentemente, tinha tudo para ser um dia normal. Tudo estava em sua mais perfeita ordem, tudo, menos eu. Não sei ao certo o que aconteceu comigo. Parece-me que em apenas um dia tudo mudou – ou apenas eu –, aliás, não em um dia, mas em apenas algumas horas, do momento em que eu coloquei a minha cabeça no travesseiro e dormi até a hora em que eu acordei.

Quando eu acordei, não me sentia mais como um menino, sentia-me agora como um homem. Um homem capaz de tudo, capaz de fazer tudo que quer, capaz de fazer tudo que está ao seu alcance e ir até um pouco além.

Mas isso chegou ao seu ápice hoje de manhã, quando, enquanto escolhíamos a posição e o respectivo número no jogo de futebol, um amigo meu gritou: eu sou o goleiro – o meu número será 01. Por que aquele número e o jeito de falar de meu amigo me inquietaram tanto? Por que aquele “zero-um” parecia mais pronunciado e mais explicando nesta manhã? O porquê disso tudo só vim descobrir à noite.

Assim, o dia continuou passando normalmente para os outros, mas não para mim. Realmente não me sentia nada normal. Meu pai me falou que um dia eu ia sentir-me assim, diferente, ele me disse também que eu iria me sentir assim porque eu entrei na puberdade. Será mesmo que já cheguei à fase que os adultos chamam de puberdade? Se eu realmente cheguei, é uma pena. Já viu nome mais feio? E, afinal, para que ela serve?

Enfim, essa questão me assolou a manhã e a tarde toda. Mas, por sorte, à noite a resposta me veio à tona. Assim, contemplando minha curiosidade a cerca de o porquê eu estava tão apreensivo e me sentindo tão diferente.

Depois de passar a tarde e a manhã procurando uma resposta para saber qual a razão de eu estar me sentindo assim, percebi que não adianta eu ficar me remoendo em casa, enclausurado. Finalmente, chega à noite e eu resolvo sair para brincar com alguns amigos.

Quando estávamos brincando de “esconde-esconde”, no final da brincadeira, percebi uma coisa intrigante, só faltava achar aquele meu amigo que, mais cedo, tinha decido ser o goleiro no jogo de futebol. Depois de muito procurar ele, por fim, encontrei-o.

Subitamente, eu olhei no rosto de meu amigo e lembrei-me do que ele tinha dito mais cedo, quando tínhamos que escolher a posição e o número, no futebol. Acabei descobrindo tudo. Mas, inicialmente, eu não podia acreditar que um filme pudesse mudar-me tanto. Acabei ficando mais perplexo, lembrando do modo como eu fiquei o dia todo. Mas era inevitável, foi realmente o filme que tinha me deixado daquele jeito.

Fiquei com um ódio imenso dentro de mim, visto que eu perdi todo o meu dia pensando tantas baboseiras e fazendo tantas hipóteses. Então, eu só pensava como e em quem eu poderia depositar toda a raiva que eu sentia. Mesmo não sabendo em quem eu iria depositá-la, o modo, inconscientemente, eu já sabia, e, por isso, eu acabei gritando para meu amigo: “Traz o saco, zero-um”.

*** Não se deve ligar a obra ao autor. ***

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Desconsertando um Tabu

Devido a eu presenciar cenas de completa perplexidade, ultimamente, de algumas colegas em relação às cenas de sexo que vimos em alguns filmes. Eu percebi que, em pleno século XXI, ainda é um tabu falar e ver cenas de sexo, para algumas pessoas – em especial as mulheres.

É impressionante quando você está assistindo a algum filme com suas amigas e estas fazem algazarras quando aparece uma cena, digamos, mais picante. Porém, há cenas de sexo que podem ser consideradas até mais “ajeitadas” do que outros tipos de cenas, por exemplo, há beijos e “amassos” que são mais desconcertantes que algumas cenas de sexo.

Não obstante, há sempre amigas que gritam “horrorizadas”, mas ficam com seus grandes olhos esbugalhados e atentos à tela; enquanto outras gritam e colocam as mãos no rosto - mas deixando sempre uma fresta entre os dedos para poderem ver -, tem meninas que se negam a olhar, como se aquela cena de sexo fosse o ato mais absurdo que há.

Por que tanto pudor? Afinal, o sexo ali representado é algo natural, natural do ser humano, como também de todos os animais, e, além do sexo ser algo natural, ele está sendo representado pelo cinema, que é um tipo arte.

Muitas dessas meninas que se sentem “ofendidas” com este tipo de arte, são, algumas vezes, mais pervertidas do que os personagens representados na cena. Até porque, algumas dessas cenas são demonstrações “bonitas” de sexo. Sexo feito com amor e carinho, de pessoas que se gostam realmente. Algo que algumas dessas meninas que se “horrorizam” não sabem o que significa, visto que só querem saber de depravação e perversidade, mas, quando estão na presença de outras pessoas, se fazem de “santinhas”.

Algumas meninas ainda são muito religiosas e a estas eu pergunto: quando Adão e Eva foram criados por Deus, eles precisaram se casar para fazer sexo? Se respondermos diretamente e sem tentar enrolar, respondemos que não. Então, o sexo se mostra, mais uma vez, corroborado como algo natural.

Há ainda meninas que não são religiosas e não são “metidas a santinhas”, essas apenas acham imoral. Mas, como poderia ser imoral, se o sexo é natural a todos os animais, não só aos humanos, e, além de ser natural, é representado, neste caso, através de uma obra de arte, que é o cinema?

O sexo é uma das forças que regem o mundo e não podemos fugir dele. Temos que aprender a “administrar” e falar abertamente com as pessoas sobre o sexo e, assim, tirar dúvidas, dar conselhos e ajudar como for possível.

*** Não nos enganemos, nós conhecemos melhor uma pessoa a partir do momento que transamos com ela. ***