Hoje, aparentemente, tinha tudo para ser um dia normal. Tudo estava em sua mais perfeita ordem, tudo, menos eu. Não sei ao certo o que aconteceu comigo. Parece-me que em apenas um dia tudo mudou – ou apenas eu –, aliás, não em um dia, mas em apenas algumas horas, do momento em que eu coloquei a minha cabeça no travesseiro e dormi até a hora em que eu acordei.Quando eu acordei, não me sentia mais como um menino, sentia-me agora como um homem. Um homem capaz de tudo, capaz de fazer tudo que quer, capaz de fazer tudo que está ao seu alcance e ir até um pouco além.
Mas isso chegou ao seu ápice hoje de manhã, quando, enquanto escolhíamos a posição e o respectivo número no jogo de futebol, um amigo meu gritou: eu sou o goleiro – o meu número será 01. Por que aquele número e o jeito de falar de meu amigo me inquietaram tanto? Por que aquele “zero-um” parecia mais pronunciado e mais explicando nesta manhã? O porquê disso tudo só vim descobrir à noite.
Assim, o dia continuou passando normalmente para os outros, mas não para mim. Realmente não me sentia nada normal. Meu pai me falou que um dia eu ia sentir-me assim, diferente, ele me disse também que eu iria me sentir assim porque eu entrei na puberdade. Será mesmo que já cheguei à fase que os adultos chamam de puberdade? Se eu realmente cheguei, é uma pena. Já viu nome mais feio? E, afinal, para que ela serve?
Enfim, essa questão me assolou a manhã e a tarde toda. Mas, por sorte, à noite a resposta me veio à tona. Assim, contemplando minha curiosidade a cerca de o porquê eu estava tão apreensivo e me sentindo tão diferente.
Depois de passar a tarde e a manhã procurando uma resposta para saber qual a razão de eu estar me sentindo assim, percebi que não adianta eu ficar me remoendo em casa, enclausurado. Finalmente, chega à noite e eu resolvo sair para brincar com alguns amigos.
Quando estávamos brincando de “esconde-esconde”, no final da brincadeira, percebi uma coisa intrigante, só faltava achar aquele meu amigo que, mais cedo, tinha decido ser o goleiro no jogo de futebol. Depois de muito procurar ele, por fim, encontrei-o.
Subitamente, eu olhei no rosto de meu amigo e lembrei-me do que ele tinha dito mais cedo, quando tínhamos que escolher a posição e o número, no futebol. Acabei descobrindo tudo. Mas, inicialmente, eu não podia acreditar que um filme pudesse mudar-me tanto. Acabei ficando mais perplexo, lembrando do modo como eu fiquei o dia todo. Mas era inevitável, foi realmente o filme que tinha me deixado daquele jeito.
Fiquei com um ódio imenso dentro de mim, visto que eu perdi todo o meu dia pensando tantas baboseiras e fazendo tantas hipóteses. Então, eu só pensava como e em quem eu poderia depositar toda a raiva que eu sentia. Mesmo não sabendo em quem eu iria depositá-la, o modo, inconscientemente, eu já sabia, e, por isso, eu acabei gritando para meu amigo: “Traz o saco, zero-um”.
*** Não se deve ligar a obra ao autor. ***
Um comentário:
TRAZZZZZ O SACOOOO O1
UASUHSUHAUHUSHUAHSUAHSUAHU
como eu sou lesa :PP
te amo
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