segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Mais um dia por aqui

Hoje, aparentemente, tinha tudo para ser um dia normal. Tudo estava em sua mais perfeita ordem, tudo, menos eu. Não sei ao certo o que aconteceu comigo. Parece-me que em apenas um dia tudo mudou – ou apenas eu –, aliás, não em um dia, mas em apenas algumas horas, do momento em que eu coloquei a minha cabeça no travesseiro e dormi até a hora em que eu acordei.

Quando eu acordei, não me sentia mais como um menino, sentia-me agora como um homem. Um homem capaz de tudo, capaz de fazer tudo que quer, capaz de fazer tudo que está ao seu alcance e ir até um pouco além.

Mas isso chegou ao seu ápice hoje de manhã, quando, enquanto escolhíamos a posição e o respectivo número no jogo de futebol, um amigo meu gritou: eu sou o goleiro – o meu número será 01. Por que aquele número e o jeito de falar de meu amigo me inquietaram tanto? Por que aquele “zero-um” parecia mais pronunciado e mais explicando nesta manhã? O porquê disso tudo só vim descobrir à noite.

Assim, o dia continuou passando normalmente para os outros, mas não para mim. Realmente não me sentia nada normal. Meu pai me falou que um dia eu ia sentir-me assim, diferente, ele me disse também que eu iria me sentir assim porque eu entrei na puberdade. Será mesmo que já cheguei à fase que os adultos chamam de puberdade? Se eu realmente cheguei, é uma pena. Já viu nome mais feio? E, afinal, para que ela serve?

Enfim, essa questão me assolou a manhã e a tarde toda. Mas, por sorte, à noite a resposta me veio à tona. Assim, contemplando minha curiosidade a cerca de o porquê eu estava tão apreensivo e me sentindo tão diferente.

Depois de passar a tarde e a manhã procurando uma resposta para saber qual a razão de eu estar me sentindo assim, percebi que não adianta eu ficar me remoendo em casa, enclausurado. Finalmente, chega à noite e eu resolvo sair para brincar com alguns amigos.

Quando estávamos brincando de “esconde-esconde”, no final da brincadeira, percebi uma coisa intrigante, só faltava achar aquele meu amigo que, mais cedo, tinha decido ser o goleiro no jogo de futebol. Depois de muito procurar ele, por fim, encontrei-o.

Subitamente, eu olhei no rosto de meu amigo e lembrei-me do que ele tinha dito mais cedo, quando tínhamos que escolher a posição e o número, no futebol. Acabei descobrindo tudo. Mas, inicialmente, eu não podia acreditar que um filme pudesse mudar-me tanto. Acabei ficando mais perplexo, lembrando do modo como eu fiquei o dia todo. Mas era inevitável, foi realmente o filme que tinha me deixado daquele jeito.

Fiquei com um ódio imenso dentro de mim, visto que eu perdi todo o meu dia pensando tantas baboseiras e fazendo tantas hipóteses. Então, eu só pensava como e em quem eu poderia depositar toda a raiva que eu sentia. Mesmo não sabendo em quem eu iria depositá-la, o modo, inconscientemente, eu já sabia, e, por isso, eu acabei gritando para meu amigo: “Traz o saco, zero-um”.

*** Não se deve ligar a obra ao autor. ***

Um comentário:

Mônica disse...

TRAZZZZZ O SACOOOO O1


UASUHSUHAUHUSHUAHSUAHSUAHU


como eu sou lesa :PP

te amo