quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ella, a Santa*

- Dá para entender sem ler a postagem introdutória. Mas recomendo ambas.


Impressão sobre Santaella: tem cara de ser uma mulher intragável e presunçosa, até abrir a boca para começar a falar. Parece que se transforma. É engraçada (e não força para isso, tem um humor leve e sutil), simples (não tenta se mostrar erudita demais, não tem necessidade de se exibir assim), envolvente (ela nos prende em sua fala, até quando parece findá-la repentinamente), resumindo: fenomenal na palestra. Com seus, aproximadamente, um metro e meio de altura (sem contar o salto que quase dobra seu tamanho), Santaella tem muito conteúdo (o que é óbvio, para quem lê seus livros), mas o transmite de maneira objetiva (no sentido de ser facilmente compreensível, não de encerrar a discussão), lacônica e não enfadonha - para alguns, diferente do que acontece nos livros.

Com formação em Letras, Comunicação, Psicanálise (ela quem disse, eu não sabia) e sei lá mais o que, em certo momento, Santaella esclarece que nunca teve outra profissão e que nasceu para fazer isso: estudar, pesquisar, lecionar. Sinto-me totalmente do mesmo jeito; espero ao menos conseguir fazê-lo, não precisa nem chegar na unha do pé do que ela conquistou (lógico que quero ser bom e tento sempre ser o melhor possível, mas ela é uma em uma milhão).

Como não utilizo o blog para discussões acadêmicas, vou disponibilizar minhas anotações, que não foram tão grandes porque ela se focou no livro Cultura e Artes do Pós-Humano (o melhor livro dela que já li), que ainda está bastante vivo em minha mente. A qualidade não está muito boa porque meu scanner está quebrado e o único jeito de pôr as anotações aqui foi tirando uma foto.


Uma parte da palestra que nunca vou esquecer é Santaella falando de transmídia. Não porque citou Jenkins (que é óbvio quando se fala no assunto), mas porque aplicou o conceito no sentido errado e dizendo que o autor o faz desse jeito. Acabou misturando transmídia com crossmídia e convergência. Ela falou da relação entre mídias (com assunto no plano de fundo) e depois da transferência de um conteúdo para diversos formatos, enquanto transmídia é a correlação de assunto (com a mídia no plano de fundo), ou seja, em crossmídia, o cruzamento de mídias é o principal, enquanto na trans o primordial é a interrelação de conteúdo. Já convergência tem um sentido mais amplo e que não vou discutir aqui, pois não gosto de assunto muito denso aqui no blog. E outra, esses conceitos estarão num futuro paper, quando lançá-lo, coloco aqui, na página "
arquivos".

Por fim, a tietagem foi meio tímida. @laiza e eu (que já tentamos fazer isso com Adriana Amaral e Alex Primo) somos um pouco envergonhados (para não dizer muito) para isso, contudo, finalmente conseguimos tirar foto com um dos autores que lemos e que, de tanto citarmos, já parecem íntimos e próximos a nós. Alex Primo, Adriana Amaral e Raquel Recuero, André Lemos, e vários outros que nos esperem...




* A intenção não é endeusar Santaella. A referência é por causa da Ciberliga de Pesquisadores Paladinos (qualquer semelhança com algum programa da MTV, é mera semiótica).

4 comentários:

Laíza disse...

muito bom relato, lyssim!

santaella é uma inspiração, um tipo raro de pesquisador que se aprofunda de verdade, que não fica arrotando teoria (como bem diz victor braga) e que produz com qualidade ao longo do tempo.

quem dera as academias tivessem mais professores dispostos a produzir conhecimento e não a ficar em picuinha política dentro do curso, do departamento e do centro.

eu ouso dizer que quero ser como ela, porque quanto maior o alvo, mais longe a gente chega. e o maior mérito dela está nisso: em fazer a gente querer chegar longe.

DECLARAÇÃO DE AMOR TOTAL HEIN

Claudionísio disse...

Que interação bacana alysson! POnto para vc , para Laiza e para os ligados na semiótica do ciberespaço

Allysson; com dois "L", um "Y" e dois "S" disse...

Mea culpa: Como Mônica percebeu, na sétima linha do primeiro parágrafo tem um erro. Onde se lia "... para quem ler (sic)...", agora está retificado: "... para quem lê..."

Verdade, Laíza! Também me inspiro nos melhores, mas ela é uma em um mil. Ainda assim, quem sabe não chegamos lá, não é? Temos ainda muito chão pela frente.

E o relato, como sempre, não ficou acadêmico rsrsrs. Para isso, tem a página de arquivos no blog.

Mônica Elisa disse...

Lembro de uma certa vez, um rapaz reclamando a seguinte coisa: Essa Santaella vai me matarrrr!

Pelo jeito as "discussões" que vocês tiveram são águas passadas.

Que bom que ela é isso tudo que você falou. Já temos tantos nojentos e idiotas nesse mundo...não precisamos mais de um.

E ela como formadora de opinião, faz o certo!

DECLARAÇÃO DE AMOR TOTAL HEIN (2)