
A UFPB, até então, não tinha implementado o sistema de cotas, o que muito me orgulhava. Contudo, sai a notícia que isso vai acabar em 2011. As cotas vão começar, mas quem vai se beneficiar? Negro, índio, pardo (?)... e quem estudou em escolas públicas (isso sim é temporariamente eficiente).
Qual a desculpa para negros, índios e pardos estarem incluídos nas cotas? Se a desculpa é de que a educação pública é muito diferente (em termos de qualidade) da particular, então por que não fazer cota apenas para quem estudou em escola pública? Quer dizer, só porque uma boa parcela de negros e índios (não tenho dados, é suposição) não tem dinheiro para se inserirem em escolas privadas, apenas eles têm direito a ingressar em universidades por métodos mais fáceis (sim, são mais fáceis mesmo; todos sabem que as médias são mais baixas)? E onde ficam os brancos (orientais, latinos, etc.) pobres?
Pense num branco pobre que estudou a vida toda em escola pública, tem os pais separados, vários irmãos - muitos envolvidos com drogas -, vivendo num bairro violento e numa casa sem condições de higiene (salientando a falta de espaço para toda a família). Pensou? Pois é! Para mim, esse branco seria muito mais negro ou indígena, por exemplo, (no sentido de merecer entrar na cota) do que um desses que viva num apartamento de um bairro de classe média alta, tenha estudado em escolas caras, possua pai e mãe atenciosos que lhe dão tudo (desde coisas imateriais até materiais).
Sei que no Brasil existe preconceito e que negros e índios sofreram muito ao longo dos séculos; mas e as mulheres? E os gays? Temos que repensar esses motivos ou então chegará uma época em que quem for homem, hétero e classe média quase não terá oportunidade; não defendo que esses mereçam mais, porém também não têm de ser deixados de lado.
Não acredito que o preconceito com negro ou índio se dê a tal ponto que faça um jovem não conseguir se concentrar nos estudos, sobretudo com todos benefícios supracitados. Provavelmente, as cotas apenas contribuam para o preconceito, tendo em vista que o déficit se focalizará na cor, raça ou etnia - como queira -, ao invés de salientar a carência do sistema educativo público.
Além do mais - abrangendo a discussão -, não adianta a universidade inserir quem não tem dinheiro em cursos caros, sem ter o devido acompanhamento. Começamos um processo de inclusão pela contramão, de um jeito preconceituoso e enfatizando ainda mais o imediato. A medida já é imediata por excelência, pois visa suprir uma carência urgente. Porém, adquire ainda mais essa característica, quando não pensa em como manter os futuros universitários em cursos como os de saúde, que requerem um alta quantidade de dinheiro para concluir.
Seria algo do tipo: vamos colocá-los lá dentro, mas eles que se desdobrem para se manter. Enquanto isso, os representantes dos grupos minoritários - maltratados e discriminados durante anos - vibram com atitudes que colaborarão apenas para a manutenção do preconceito, não para sua finalização.
4 comentários:
Acho essa uma discussão que rende muitos panos. Em geral, concordo com vc. Um professor meu (UVA), disse pra Marcinha: Vc acha realmente que uma negra concorrendo com vc (loirinha, olhos verdes e nariz afilado)terá alguma chance?
Esse professor era negro. Acho que as pessoas que defendem a cota racial (podem não dizer)defendem essa mentalidade.
Eu penso que se um professor negro, universitário tem essa mentalidade... imagine os outros?
Já vi em textos na web e reportagens na TV chamando de "cota racial". Ora bolas! Então, para quem defende as cotas, o problema é de cor mesmo? Francamente...
E, se eu fosse Marcinha, responderia ao professor que acho sim que uma negra tem as mesmas condições de ingressar em uma universidade do que uma loira de olho verde, ou uma índia de olho preto, ou uma oriental de olho puxado.
Mas que todos tenham as mesmas condições. Não adianta comparar uma negra rica, com boa educação e família bem estruturada, com uma branca pobre que tenha educação de má qualidade e uma família que só faz piorar sua condição de vida (embora existam casos de pessoas MUITO pobres que passaram em cursos super concorridos. Mas elas são exceções...)
A idéia de cotas raciais é ruim, nisso eu concordo. Mas, comparando o desempenho dos cotistas com os alunos normais, não fez muita diferença não. No início eu achei que ia piorar muito os cursos, mas com o tempo vi que dá no mesmo. O problema mesmo é na idéia de "cota racial".
Quer algo mais racista que as cotas? Existem faculdades só para negros, a Faculdade Zumbi dos Palmares.
Não disse que o curso pioraria porque vestibular (ou qualquer prova) não mede conhecimento, muito menos se a pessoa vai se dar bem no curso escolhido. Se fosse assim, os primeiros lugares seriam super fodas em suas profissões.
O que digo é que (como o jeito de entrar é através da prova) a média de cotistas é mais baixa.
Isso que você falou me lembrou um bloco de carnaval da Bahia que era só para negro. Se eu fizer um só para branco ou para hétero...
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