Hoje o dia foi muito tenso. Me senti totalmente impotente perante à (IN)justiça do nosso país - que só fode os pobres.
O caso é o seguinte. A Oi me cobrou, INDEVIDAMENTE, o primeiro mês de internet (isso foi em novembro do ano passado). Meu plano me concedia os dois primeiros meses grátis, caso eu não ultrapassasse a franquia. Beleza, a minha é de 5 Gb, como fiz o contrato no dia 14 e a data de corte é 23, eu estava muito tranqüilo, tinha apenas dez dias para gastar 5 gigas. No final do mês, a conta veio e gastei pouco mais de 2 gigas. Mas como nem tudo são flores na vida de Allysson Viana... adivinha? A Oi resolveu me cobrar 70 conto. Tudo bem, acreditava inocentemente que era só ir lá e mostrar-lhes o erro; assim, tudo acabaria do jeito certo.
Chegando à loja, contudo, a vendedora jogou uma conversa que o primeiro mês era proporcional, que eu devia ter feito uma regra de três simples entre o tamanho de minha franquia e quanto eu poderia gastar por dia. Daí eu calculava do dia que fiz o plano até o dia do corte, sabendo quanto eu deveria ter usado. Aí falei que era para ela ter avisado antes, no momento em que fazia o contrato. Mas então ela disse que era óbvio (agora eu sou o burro, e outra, isso de ser óbvio existe? devia estar em contrato, não ser evidente; e também não é tão claro, pois ninguém iria querer pagar a mesma importância e ter uma franquia menor).
Procurando justificativa, ela tentou jogar a conversa que era para eu ter lido o contrato, que tinha tudo lá, blah blah blah... AÍ FALEI: Peraê, li o contrato e no que tenho em casa não diz nada disso, a não ser que você tenha um diferente - ironizei. Aí ela olhou lá no contrato que tinha na loja e... SURPRESA! Isso de a primeira conta ser proporcional só existe na cabeça dela (e no da galera da Oi que me cobrou indevidamente).
Neste momento, perguntei se eu poderia falar com o gerente, para não pagar a conta. Ela disse que ele poderia dividi-la para mim, no entanto, só depois que a conta estivesse atrasada. Ou seja, eu devia atrasá-la, para poder pagar mais (com os juros), e daí eles dividirem; isso tudo porque ELES erraram. Qual é, comadre? Dinheiro eu tinha, mas não é por isso que vou ficar dando 70 conto a todo mundo que me cobra SEM MOTIVO.
Depois disso, me levantei revoltado e falei: OBRIGADO, AGORA VOU AO PROCON. E ela apenas sussurrou: Faça o que sua consciência achar melhor. Foi quando pensei: Quer dizer que agora que estou certo tenho consciência? Antes, eu era um cara burro que não percebia o óbvio e não tinha lido o contrato? Apoi-então-tá, fui ao Procon - e com a consciência mais perfeita e limpa do que nunca. Lá, pediram para eu esperar 20 dias até a Oi entrar em contato - coisa que NUNCA aconteceu. Então, tive que ir ao fórum de pequenas causas. Deu em quê? Audiência para HOJE - 12 de fevereiro de 2010; 3 meses depois do ocorrido.
Cheguei lá às 15:30, minha audiência era dali a 20 minutos (queria assegurar para não perder, né? Afinal, era a minha primeira vez). No entanto, só fui chamado às 16:40; esperei 1 hora e 10 minutos ¬¬. Tudo beleza, finalmente, tudo ia se resolver, eles estavam totalmente errados (pelo menos, foi o que falaram o cara do Fórum e a mulher do Procon).
Entro, em silêncio, na sala, sento na cadeira à frente da juíza (ou sei lá o que ela era) e espero o carinha da Oi. O representante da empresa demora uns 2 minutos e então apareceu - com um sorriso na cara e me desejando boa tarde, que cordialmente retribuí. Sem saber o que fazer, fiquei parado, esperando que perguntassem algo. Quebrando a tensão, a mulher pergunta para o homem da Oi: O que a empresa decidiu? Ele diz: Sem acordo. E continua: O senhor (eu) fez realmente uma assinatura com as duas primeiras faturas de graça, mas ele ultrapassou a franquia.
Quase imediatamente, ambos (representante da Oi e mulher que devia ser a juíza) olham para mim, percebi que era minha vez de falar e, mais gelado do que água no congelador, disparo: Realmente fiz essa assinatura, mas não ultrapassei a franquia. Ela é de 5 gigas e usei apenas 2 e pouco, não chegou nem na metade. Estou com todos os papéis aqui para provar. O carinha da Oi: Mas a empresa me passou dizendo que você ultrapassou. Eu: Estou com todos os papéis aqui, se quiser ver... Silêncio infernal e não se ouve nada até a mulher olhar para o cara da Oi e indagar: E aí, sem acordo? O carinha: Sem acordo! Ela olha para mim: Senhor, já pode ir. A próxima audiência é no dia 12 de julho, às 15:30. Peguei meus papéis, meio desnorteado, sem saber o que fazer, e fui embora.
Saí com muito ódio, vontade de chorar e bater naqueles filhos da puta. Aquela mulher (sei lá se era juíza) deveria defender os direitos do cidadão, não? Eu estou com tudo para provar e ninguém me deu o mínimo de crédito. Será que para conseguir o que é nosso e fazer justiça neste país precisamos ter dinheiro? Dinheiro para pagar um advogado? Diante de tudo, me senti um bosta! Impotente com toda aquela situação, sem entender bulhufas do que estava acontecendo. É foda você se achar um bosta por ver que a palavra de um representante de uma empresa MERDA vale mais do que a sua e do que todas as provas, papéis e comprovantes.
Só sei de uma coisa, não tenho dinheiro para ter um advogado, mas tenho tempo. Semana que vem vou ao centro, onde se consegue aqueles advogados 0800, e vou dar mais um passo para conseguir meu dinheiro de volta. Mas fico imaginando: Quem trabalha dois expedientes e não tem grana, como vai comparecer a tantas audiências (até que a empresa CULPADA tenha a bondade de oferecer um acordo? E se não oferecer? Eu é quem me fodo? Até quando vão me cozinhar?), correr atrás de um advogado 0800, ir ao Procon, ir ao Fórum...??? Esse povo é super ocupado, portanto não vai. E esse é o jogo das grandes empresas: "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", no meu caso, a água vai acabar. Eles não vão me vencer pelo cansaço, não vou desistir do que é meu por direito. Eles erraram, vão pagar, mesmo que seja um valor ínfimo (para eles).
Acho que tudo isso serviu pelo menos para uma coisa: não quero me formar para fazer isso, representar uma empresa que não merece respeito e pensa apenas em fuder o cidadão comum, sem dinheiro e trabalhador; principalmente estando errada. Tomara que eu NUNCA precise fazer uma reportagem onde tenha que focalizar a desgraça do indivíduo, a não ser que seja para devolver em dobro para esses filhos da puta que têm dinheiro e se aproveitam de pessoas que não têm que as represente. Hoje me senti assim, mas isso ainda não acabou.
Um comentário:
Pude acompanhar todo esse processo com vc (como exceção da loja da Oi) e bate uma revolta muito grande. Esperava que a infeliz fizesse algo, pegasse os comprovantes que vc tem... é tão difícil?
tenho certeza de que vc vai conseguir dar uma rasteira na OI. E o tal advogado vai ficar com cara de cú!
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