
Pego meu refrigerante e meu cachorro-quente, enquanto os outros preferem pipoca. A televisão está à frente, ligada e com o som bastante audível. Não, não é um momento cinema em casa, mas os desfiles das escolas de samba que estão prestes a começar.
É o momento Carnaval, samba e mulher. Quem passa o festejo de fevereiro em nosso país, entende bem o motivo pelo qual o Brasil é conhecido por essas características. Apesar de a grande maioria gostar da folia, de pular sem motivo aparente, a não ser o de exorcizar seus problemas e preocupações, há quem esteja do lado oposto de tudo isso, ou pelo menos curtindo o carnaval ao seu modo.
Nunca gostei de ficar pulando em meio a uma multidão que não tem respeito ao próximo, nem de me mexer ao som de músicas que não me agradam. Ainda assim, participo de ao menos uma folia de rua apenas para não ficar em casa no feriado.
Isso não quer dizer que não gosto do carnaval. Sempre apreciei os desfiles das escolas de samba, sobretudo as do Rio de Janeiro. Ao contrário da festa desconexa que é o carnaval de rua, o desfile anual é produzido durante quase um ano inteiro e procura abordar um tema de maneira criativa e através de diversas facetas. Um modo de expressão artística que envolve vários tipos de linguagens.
O engraçado em falar de carnaval com as pessoas é que nunca concordo com nenhum discurso. Não sou adepto à folia – a não ser que ela não passe de um dia –, mas também não me encaixo no grupo que declara morte à comemoração. Gosto de admirar os desfiles, observar como um assunto é abordado de maneira criativa, analisar os destaques idiossincráticos de cada carnavalesco.
Embora não queira parecer saudosista – até porque não posso, devido à pouca idade e ao escasso conhecimento sobre os clubes de carnaval –, não imagino um cenário tão ruim quanto o atual. Hoje, temos as músicas pouco carnavalescas tocando nas ruas da cidade até a nudez da mulher com as curvas mais salientes nas escolas de samba, fato que, geralmente, nada contribui ao desfile e ao tema abordado.
* Em tempo, publico essa crônica sobre carnaval. Ela foi produzida para a disciplina Laboratório de Pequenos Meios, na semana retrasada. O texto está adequado à exigência do professor, isto é, de 20 a 30 linhas.
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