quarta-feira, 7 de julho de 2010

Tudo pode na TV... bem, quase tudo


A televisão não é uma terra sem lei, ao contrário, existem muitas formas de regulamentação para consumirmos nossos tão amados programas televisivos. Então, por que há tanta porcaria em seu conteúdo? Um dos problemas fundamentais é que a mira das metralhadoras é controlada por reguladores moralistas.

A hipocrisia que opera na televisão já foi percebida por um dos maiores críticos e comediantes americanos, quiçá mundiais: George Carlin. Morto em 2008, foi o primeiro apresentador do famoso programa Saturday Night Live e ícone da contracultura. Além de criticar acidamente a religião, Carlin ficou famoso por fazer o monólogo "As sete palavras que você não pode nunca dizer na televisão".


O comediante nos parece um dos defensores da livre forma de expressão, embora trabalhasse na TV – talvez fosse exatamente esse o principal motivo para ser um crítico deste meio. Na televisão, temos propagandas de bebidas alcoólicas e de cigarros, exaltação do heterossexualismo como conduta correta, imposição de preceitos religiosos, beneficiação de grupos políticos, entre tantos outros exemplos. Então, por que sete palavras podem causar tanto incômodo?

Em sua argüição, Carlin transpareceu o que havia por trás do mundo da TV, onde a hipocrisia desaguava em sete palavras: merda (shit), mijar (piss), foder/foda (fuck), boqueteiro (cocksucker), buceta (cunt), tetas (tits), filho da puta (motherfucker).

Os donos de emissoras queriam que essas palavras não penetrassem nos lares "de família", afinal, são piores do que exposições de violência, cigarro, bebida, preconceito, dogmas religiosos, manipulações políticas etc.

Como o público da televisão é amplo, desde crianças até idosos – na grande parte do horário –, é verdade que parcimônia no uso dessas palavras se faz necessário. O bom senso é sempre bem-vindo. No entanto, o real problema está na forma como elas são aplicadas ou mesmo nos momentos. Até porque a diferença entre mijar e urinar, buceta e vagina, foder e transar (fazer amor, como alguns preferem) é apenas a de interlocutor, a quem se fala.

Hoje, mesmo em programas humorísticos, onde o horário não é apropriado para crianças, observamos constrangimentos por causa dessas "sete palavras sujas" – como Carlin também as chamava –, ainda que, em outros ambientes, elas se façam presentes na boca da maioria de nós.

2 comentários:

Mônica Elisa disse...

Lembro de você falar que teve muita parcimônia ao escrever esse texto. A gente até discutiu sobre o assunto e tal, chegando até naquela psicóloga do Serginho Groismann hdauhduahud

Palavrão é uma forma de expressão muito bem vinda, mas deve ser usado com cuidado.

marcinha disse...

Falou tudo.
É como dizem depende de como for colocado o palavrão e sua intencionalidade.

Mas estamos acostumados com essa forma de comunicação, msm até aqueles mais ditos mais "liberais" podem se horrorizar com palavras tão fortemente expressivas.

Mas msm assim não sou muito a favor a essa forma tão pesada de expressão.