Semana passada, uma postagem de Erick Felinto causou certo burburinho numa "parte" da tuitosfera (alguém utiliza isso?). No texto, o professor mostrou (ironicamente) cinco passos que levam um estudante de graduação ao sucesso acadêmico, ao sonho tão desejado, ao ponto mais alto do cume: ser professor universitário. A postagem é a visão de um doutor, professor de universidade pública, que já foi estudante e lida com vários alunos que almejam um bom futuro no meio intelectual.
Enquanto eu lia o texto, percebi que alguns dos pontos expostos se adaptam, com algumas modificações, aos professores-universitários-intocáveis-semideuses. Agora, trago a minha visão – situando-me como um estudante que deseja um bom futuro acadêmico - dos cinco aspectos que levam alguns professores ao sucesso nas rodas de pesquisa, ao tão sonhado reconhecimento profissional.
- Inicialmente, Erick (não o conheço pessoalmente, mas me dou o direito de chamá-lo pelo primeiro nome) diz que, para ter o tão almejado sucesso, o estudante não pode aborrecer o professor. Inversamente, para ser um professor reconhecido e aclamado, o "mestre" (não no sentido curricular do termo) deve aborrecer, perturbar e ser o mais inconveniente possível com seus orientandos. Ligar tarde da noite e fazer um pedido quase impossível, sobretudo se for para executá-lo ao amanhecer do dia seguinte, é um bom exemplo. Afinal, estudante não tem muitas tarefas, tem mesmo é de ficar a madrugada acordado fazendo o que seu orientador decide repentinamente. Nada de vida pessoal para orientando. Professor que é professor tem de ligar na hora mais íntima, quando o estudante está no banheiro ou mesmo no rala-e-rola.
- O segundo ponto para o sucesso do graduando é ser conscientemente medíocre. Já o professor deve ser medíocre, mas não pode ter consciência disso. Aliás, até pode ter ciência, mas tem de fingir que não. Afinal, professor nunca erra, sempre está certo; quando erra, é só para ver a reação do pupilo, verificar se ele é prudente.
- Evitar produzir algo original é a terceira sugestão para o sucesso do discente, principalmente no que se refere às novidades. O motivo é que os professores sempre estão mais ligados às inovações tecnológicas. Quando algo surge nas redes sociais, por exemplo, eles são os mais aptos para escreverem, estudarem, investigarem, mesmo que utilizem a ferramenta muito menos do que qualquer graduando. Ainda assim, são mais capazes, pois têm um aporte teórico muito mais vasto, um conhecimento tão amplo sobre outras questões que isso se sobrepõe ao fato de não conhecerem realmente o objeto de análise. Para o professor ter renome, por outro lado, deve produzir tudo de modo original, mesmo que o assunto já tenha sido bastante explorado e que os mesmos resultados tenham sido obtidos (por outro doutor ou principalmente por um graduando). O melhor método para fazer isso é trocar apenas o nome e criar uma ampla discussão quanto à denominação do objeto estudado ou do resultado alcançado. Outra maneira promissora é copiar a pesquisa de seu orientando e dizer que você fez tudo sozinho, mesmo que só tenha corrigido textualmente o trabalho e nem conheça o objeto profundamente, afinal, graduando não produz nada original.
- Quarto passo para o êxito do estudante: Faça exatamente o que você disse que ia fazer. Do professor: Descumpra todo tipo de promessa feita aos alunos; eles não merecem crédito, são apenas graduandos. Mesmo que se lembre do prometido, finja que não. Deixe-os pensando que são apenas... graduandos, afinal, é o que são mesmo.
- O último segredo para o discente ter um futuro acadêmico excelente é aprender todos os jargões da moda, que circundam os ambientes intelectuais, as rodas de pesquisa, os congressos mais badalados, etc. Esse mesmo ensinamento serve aos professores que querem ser conhecidos em todos os círculos acadêmicos. Afinal, usar códigos ao invés das palavras é muito instigante, bem como trocar palavras fáceis pelas mais complexas (e exagere nesse recurso), deixando um simples título tão incompreensível que qualquer pobre leitor (graduando) tenha dificuldade em entendê-lo. Por fim, outro fator importante é tornar o título tão extenso que o arquivo no computador não permita colocá-lo na íntegra.
* Não tenho intuito de insultar nenhum grandessíssimo magnífico professor (doutor) universitário. O título desta postagem é apenas uma referência à música do Green Day, American Idiot. Por favor, não deixem isso interferir quando eu participar da seleção do mestrado ¬¬.
Um comentário:
Noooossa, esse tipo de coisa acontece o tempo inteiro, prefiro nem comentar, porque se não... cabeças vão rolar!
O que eu não consigo entender é porque os professores fazem isso? até parece que ele não foram alunos, ou então que vão perder a autoridade..
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